34 C
Três Lagoas
segunda-feira, 4 de maio de 2026

Adolescentes infratores fazem rebelião e destroem presídio no Piauí

03/01/2003 13h50 – Atualizado em 03/01/2003 13h50

TERESINA (PI) – Adolescentes infratores que estavam recolhidos na Penitenciária Irmão Guido, em Teresina, destruíram, na madrugada desta sexta-feira, aquela instituição prisional, única no Piauí a abrigar menores de idade acusados de crimes (quase todos hediondos). Na rebelião, um dos internos foi ferido gravemente após conflito de grupos rivais. Os rebelados disseram que fizeram o movimento por causa da falta de comida e más condições de tratamento naquela instituição prisional.

A rebelião teve início por volta das 21h dessa quinta-feira, quando 22 dos 70 menores internados na Penitenciária Irmão Guido (localizada as margens da BR-316, zona rural Sul de Teresina) destruíram por completo dois dos cinco pavilhões do presídio. Eles disseram que na noite passada não tiveram jantar e que as refeições servidas desde o primeiro dia deste ano são de péssima qualidade.

O conflito só foi contornado na madrugada desta sexta-feira, quando os rebelados entregaram barras de ferro e facas artesanais utilizadas no movimento aos representantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (seccional Piauí) e do Ministério Público Estadual, chamados emergencialmente para contornar o problema.

Durante a rebelião, um dos internos foi ferido gravemente por rivais. O nome do menor não foi divulgado pelas entidades responsáveis pela assistência aos internos daquela instituição. Esta foi a segunda rebelião seguida de destruição de presídio nos últimos oito meses. Em maio do ano passado, mais de 20 internos destruíram por completo o Complexo de Assistência Social ao Menor (CASA – conhecida por “Febem do Piauí”). No mesmo movimento, um dos internos foi trucidado por rivais. Por conta dessa destruição, os menores tiveram de ser transferidos para um presídio destinado a detentos maiores de idade.

Por conta da destruição e pela possibilidade deu uma nova rebelião, os líderes do movimento foram transferidos emergencialmente para o Complexo de Defesa do Menor em Teresina. Segundo o advogado Décio Solano, da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PI, foram constatados situação caótica em relação a estrutura física do presídio que apesar de ser novo tem paredes e instalações físicas frágeis.

“Recebemos denúncias que o jantar dos menores na noite desta quinta-feira foi arroz e macarrão, só isso. Temos de averiguar o caso”, destacou Solano.

A promotora da Infância e Adolescência de Teresina, Vera Lúcia Santos, que conversou com parte dos rebelados, constatou a gravidade do problema e ainda enfatizou a possibilidade de ocorrerem mais rebeliões. “Esses adolescentes estão em um local inadequado. Eles precisam estar em um local de ressocialização e não em um presídio”, cobrou a promotora.

Fonte: JB Online

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.