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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Cemitério de 11 mil anos é encontrado na Síria

13/01/2003 16h32 – Atualizado em 13/01/2003 16h32

Um cemitério de 11 mil anos de idade foi encontrado no sítio arqueológico sírio de Tell Aswad. A descoberta ajudará a desvendar a complexidade social e cultural das primeiras cidades de agricultores e criadores de gado.

Localizado próximo a Damasco, capital da Síria, o sítio arqueológico em que o cemitério foi encontrado é uma das maiores referências sobre a revolução neolítica, que só chegou ao arco atlântico da península ibérica três mil anos depois

Uma equipe de arqueólogos da Universidade espanhola da Cantábria participou das escavações em conjunto com arqueólogos do Instituto de Pré-história Oriental da França e da Direção de Antigüidades do governo sírio.

Um dos cientistas espanhóis, Jesús González Urquijo, explicou hoje que no sítio de Tell Aswad foram identificados os restos de dez indivíduos de ambos os sexos, enterrados em túmulos conforme um mesmo ritual, já que eles aparecem virados sobre o lado esquerdo, em posição fetal e com as mãos cruzadas sobre o peito.

Além disso, entre os objetos que acompanham os mortos foram encontrados utensílios de obsidiana (vidro de cor preta), cracterísticos da região turca de Anatólia central, cerca de 700 quilômetros ao norte do sítio, revelando uma provável atividade de troca.

Também foram encontradas pedras de moinho nos túmulos femininos, o que dá uma idéia de uma divisão de tarefas entre os dois sexos. O ritual funerário se mostra ainda mais complexo devido à presença de crânios no interior das casas, destacou González, dizendo que estas descobertas mostram “a existência de criações simbólicas muito complexas no seio destas povoações”.

Para outro dos pesquisadores, Juan José Ibáñez, a descoberta do cemitério ilustra como os primeiros povos que inventaram a agricultura e o gado, ao mudar sua economia e abandonar formas de vida baseadas na caça e na colheita, sofreram importantes mudanças em sua cultura e em sua organização social.

Estas remodelações demoraram cerca de três mil anos para chegar ao arco atlântico da península ibérica, onde a expansão neolítica começou pela região de Levante.

A equipe de pesquisadores espanhóis ofereceu material para os estudos topográficos, que não costumam ser freqüentes no deserto sírio. De acordo com o arqueólogo Luis Teira, estas ferramentas serviram para a realização de um trabalho de documentação do excepcional cemitério e para a comprovação das alterações sofridas durante a guerra do Yom Kippur em 1973.

O estudo da revolução neolítica será um dos eixos fundamentais do futuro Instituto de Pré-história da Cantábria, que em setembro fará uma nova escavação. Essa exploração, no vale da Beka (Líbano), um território quase inexplorado do ponto de vista arqueológico por causa da longa guerra civil no país, será comandada por arqueólogos da Universidade da Cantábria.

Fonte: Agência EFE

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