07/02/2003 15h39 – Atualizado em 07/02/2003 15h39
WASHINGTON – O Dr. James Hill, conhecido pesquisador de obesidade da Universidade do Colorado, sugere medidas simples para evitar o aumento de um quilo por ano que vem sendo registrado na população norte-americana.
Segundo o especialista, comer 100 calorias a menos por dia melhoraria a saúde das pessoas e seria uma forma mais simples de evitar dietas difíceis de seguir no futuro.
O Dr. Hill diz que desistir de um biscoito ou dar três mordidas a menos no hambúrguer de cada dia pode ser um sacrifício menor do que tentar perder peso mais tarde.
Mas o médico reconhece que não comprovou ainda os efeitos de suas sugestões. É que os cientistas estão testando diferentes abordagens para tratar aquilo que está se tornando rapidamente uma epidemia nacional.
Sessenta por cento dos adultos nos Estados Unidos estão acima do peso, e o governo responsabiliza as doenças relacionadas ao excesso de peso pelas 300 mil mortes que ocorrem por ano.
“O maior problema que enfrentamos na América não é o terrorismo, é a obesidade”, disse à agência Associated Press a Dra. Julie Gerberding, chefe do Centro de Controle e Prevenção de Doenças.
Corrigir o problema vai exigir mudanças nas normais da sociedade, a começar pelas crianças, disse ela. Coisas como agir mais e comer menos numa sociedade que estimula mais dirigir do que caminhar e que fornece livre acesso a alimentos calóricos.
Para concentrar a atenção no problema, a revista Science, em sua edição desta sexta-feira, procurou especialistas em obesidade para ouvir suas opiniões sobre formas de reduzir o problema.
A resposta do Dr. James Hill foi examinar números do governo mostrando que cerca de 40 milhões de adultos estão obesos e documentando o firme ganho de peso do país nos últimos anos.
“O futuro não traz esperanças, a menos que comecemos a agir agora”, ele concluiu. Se a atual tendência se mantiver, ele estimou que 39 por cento dos adultos estarão obesos em 2008, em comparação com 31 por cento em 2000.
Combate à gordura
Perder peso e manter-se assim pode ser difícil. Então, o Dr. Hill e seus colegas calcularam o que ele chama de lacuna de energia – quantas calorias são consumidas, mas não são queimadas.
Usando os mesmos dados do governo, ele estimou que, em média, as pessoas ganham um quilo por ano, o que significa 50 calorias extras armazenadas por dia.
Como o corpo pode armazenar metade das calorias consumidas, ele disse que para evitar o ganho de um quilo seria necessário simplesmente consumir 100 calorias a menos por dia.
Há problemas com essa abordagem simples, diz o Dr. Jeffrey Friedman, da Universidade Rockfeller, que descobriu a leptina, o hormônio da obesidade, em 1995. Algumas pessoas ganham cinco quilos por ano, enquanto outras não ganham peso algum.
Além disso, poucas pessoas realmente sabem quantas calorias consomem.
“Nós simplesmente não precisamos reiterar as antigas panacéias. Precisamos desenvolver uma compreensão mais completa de como lidar com a obesidade”, afirmou.
Em seu próprio artigo na revista Science, Friedman escreve que as pessoas com excesso de peso estão disputando uma “batalha contra a biologia”, porque a obesidade é resultado de uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais.
Os cientistas descobriram uma série de hormônios e genes que geram um impulso biológico básico para comer que é difícil de combater, segundo ele.
Eles também sabem que quanto mais quantidade e variedade de comida as pessoas tiverem à disposição – como nas porções gigantes servidas em alguns restaurantes -, mais elas vão comer em excesso, diz o chefe de nutrição do CDC, Dr. William Dietz.
“O tamanho da porção é uma questão. Como controlar isso não é tão simples”, alerta.
Para aqueles que relutam em comer menos, o Dr. Hill indica uma atual experiência em que o estado do Colorado está encorajando as pessoas a comprar contadores de passos movidos a bateria, por 20 dólares. Com isso, é possível dar dois mil passos a mais por dia, o suficiente para andar 1,6 quilômetro e queimar 100 calorias.
Hill está estudando 500 participantes para ver se esse pequeno acréscimo vai ajudar em seu peso. Os resultados só serão conhecidos em um ou dois anos. Ele planeja acrescentar ao estudo o emprego da sua teoria de comer 100 calorias a menos por dia.
Fonte: Associated Press




