07/02/2003 16h30 – Atualizado em 07/02/2003 16h30
A entrada de dólares novos no país e o anúncio da nova meta de superávit primário do governo garantiram a queda do dólar nesta sexta-feira. Embora tenha operado em alta durante a maior parte da tarde, a moeda norte-americana fechou em baixa de 0,19%, a R$ 3,585 para venda e R$ 3,58 para compra.
Na semana, entretanto, o dólar acumulou alta de 1,99%. Já o risco Brasil recua 1,20%, para 1.310 pontos, e acumula na semana queda de 0,98%.
O ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) anunciou há pouco a nova meta para o superávit primário (receitas menos despesas do governo, sem incluir gastos com juros), que passa de 3,75% para 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto) – ligeiramente acima das expectativas do mercado, entre 4,1% e 4,2%, e o maior valor desde 1998.
A meta austera agradou os investidores e fez o mercado inverter o movimento no fim dos negócios. Mesmo assim, analistas advertem que a meta poderia ser revista no caso de que a possível guerra entre EUA e Iraque dure mais do que os dois meses projetados.
Captação e guerra
Durante a manhã, a queda do dólar fora sustentada por uma venda significativa de dólares pelo Bradesco, segundo operadores. O banco, que nesta semana concluiu uma captação de 70 milhões de euros no exterior, anunciou hoje que captou mais US$ 150 milhões. Em janeiro, o Bradesco já emitira US$ 250 milhões em títulos.
Mas após a saída do Bradesco do mercado durante a tarde, a possibilidade de guerra voltou a pesar. O dólar subiu até o momento de anúncio da meta do superávit.
Os EUA e a ONU (Organização das Nações Unidas) devem definir suas posições quanto a um possível ataque ao Iraque na próxima semana, quando o chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, apresenta suas conclusões após a viagem que fará neste fim de semana ao Iraque para esclarecer pontos obscuros do relatório de armas que o país entregou em dezembro.
Até agora, os EUA defendem o ataque como a única forma de depor do país supostas armas de destruição em massa, mas que outros membros da ONU, como França e Alemanha, se opõem.
Hoje também o Banco Central rolou 54,2% de uma dívida cambial de US$ 2,5 bilhões que vence no dia 13, pagando taxas de dois a nove pontos mais baixas do que as pagas na última operação, de um vencimento no último dia 3.
Fonte: Folha Online







