07/02/2003 12h50 – Atualizado em 07/02/2003 12h50
Na última quinta-feira, médicos reportaram a descoberta de um tratamento que, pela primeira vez, reduz o índice de partos prematuros em mulheres que correm o risco de terem seus bebês antes do esperado.
O tratamento, que inclui injeções semanais do hormônio progesterona, reduz esse índice em mais de um terço. O hormônio está amplamente disponível.
“Esse é o primeiro verdadeiro sucesso obtido no tratamento do maior problema da obstetrícia, o parto prematuro”, afirmou o dr. Paul Meis, professor de obstetrícia e ginecologia da Universidade Wake Forest em Winston-Salem, na Carolina do Norte, que conduziu o estudo.
Na verdade, o tratamento foi considerado tão eficaz que o estudo foi interrompido logo no início, porque não seria ético continuar a administrar um placebo em mulheres com alto risco no grupo de estudo, 459 mulheres em 19 centros médicos dos EUA.
Aproximadamente meio milhão de bebês nascem em partos prematuros a cada ano, correspondendo a cerca de 12% de todos os partos. Os bebês prematuros nascem muito doentes, com problemas pulmonares e outras doenças. Eles podem desenvolver paralisia cerebral, retardo mental, perda de audição ou cegueira.
Os partos prematuros – que cresceram 27% nos EUA desde 1981 – são a principal causa de morte no primeiro mês de vida dos bebês. Um parto é considerado prematuro se ocorre antes de 37 semanas; uma gravidez normal dura 40 semanas.
Meis apresentou as descobertas na última quinta-feira em São Francisco em um encontro da Sociedade de Medicina Maternal-Fetal. O estudo foi patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano.
Os pesquisadores alertaram que o tratamento foi usado para evitar partos prematuros, não para tratar mulheres cujos partos já haviam começado.
Diversas condições podem causar um parto prematuro, incluindo infecções, uso de drogas ou álcool, extremos de peso ou idade e a gravidez de gêmeos ou mais. Mas em cerca de metade dos casos, os partos prematuros ocorrem de forma espontânea e sem uma razão conhecida. A permanência de um bebê prematuro no hospital custou em média US$ 58 mil no ano de 2000, comparada com US$ 4.300 para um bebê normal.
Meis, o líder do estudo, disse que o hormônio usado no estudo – 17-alpha-hydroxyprogesterone caproate, ou 17P – era um medicamento aprovado, já no mercado para outros usos, e que os obstetras poderiam obter para o tratamento de pacientes de alto risco. No estudo, as injeções eram iniciadas na 16º ou 20º semanas de gravidez e interrompidas na 36º semana.
Fonte: IG





