10/03/2003 18h37 – Atualizado em 10/03/2003 18h37
As mais de 2000 famílias de sem-terra oriundas de seis acampamentos instalados em Itaquiraí estão enfrentando uma série de problemas. O mais grave deles está relacionado a questão da saúde, tendo em vista que a Secretaria Estadual de Saúde está negando todo tipo de atendimento solicitado aos acampados, através da Gerência de Saúde da prefeitura de Itaquiraí.
A prefeitura de Itaquiraí não comporta o grande número de atendimentos das pessoas que estão procurando a Saúde do Município. Todas vêm destes acampamentos em busca de consultas, exames laboratoriais e remédios.
“Realmente as famílias estão vivendo em condições subumanas. Já estivemos visitando os acampamentos e constatamos que não há condições de higiene, por isso as crianças, jovens e idosos estão constantemente com gripes, diarréia, dores estomacais, entre outras doenças comuns neste tipo de ambiente”, informa o gerente de Saúde Fábio Henrique Molin.
Nos levantamentos apresentados, Fábio Molin mostrou que mais de 50 por cento dos atendimentos estão ficando por conta dos acampados, mesmo a maioria deles não tendo nenhum domicílio em Itaquiraí ou qualquer relação com o município. “A prefeitura de Itaquiraí não tem mais como continuar atendendo os acampados. Estamos esgotando a capacidade de atendimentos em torno dos sem-terra estrangulando o setor de saúde de Itaquiraí, somente em função desta população flutuante”, reclama o gerente de Saúde.
Fábio sustenta que a Secretaria de Saúde do Estado não está dando nenhum tipo de apoio a Saúde de Itaquiraí, muito embora a estrutura da Gerência de Saúde tenha sido ampliada por iniciativa do prefeito Edson Vieira – Eid. Fábio lembra que “acabamos de montar mais um PSF no Assentamento Indaiá, somando-se aos PSFs do Assentamento Sul Bonito, Jardim Primavera, Tamakavi, Boa Sorte/Santa Rosa e do Centro, para que os itaquiraienses sejam melhor atendidos, mas os acampamentos vêm prejudicando estes investimentos”.
Acampados consomem água com fezes
A coordenadora do Núcleo de Vigilância Sanitária da prefeitura de Itaquiraí, Nicolina Rubia Molin, mostrou toda sua preocupação ao receber o resultado dos exames de potabilidade da água que vem sendo consumida pelos acampados, principalmente aqueles que estão nos acampamentos Divino Espírito Santo e Espadilha.
“O laboratório central de Mato Grosso do Sul, com sede em Campo Grande, confirma que a água consumida neste e em outros acampamentos possui coliformes fecais em grande quantidade. Isso quer dizer, a água bebida pelos acampados possui rastro de fezes”, explica Rubia.
Para ela, esse seria um dos motivos que vêm causando diarréia, dores de estômago, anemia, dores de cabeça e outras doenças em pessoas que estão em acampamentos. “É impossível realizarmos o trabalho de desinfecção e outros procedimento para melhorar as águas dos poços perfurados pelos acampados. Estamos de mãos atadas para resolver mais este problema”, considera a coordenadora da Visa de Itaquiraí.






