11/03/2003 08h43 – Atualizado em 11/03/2003 08h43
NAÇÕES UNIDAS — Com a França e a Rússia ameaçando usar seu poder de veto, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha estudam a possibilidade de introduzir algumas mudanças no texto de uma nova proposta de resolução sobre o Iraque. Para tanto, segundo diplomatas, os dois países estariam preparados para aceitar o adiamento, por alguns dias, de uma votação no Conselho de Segurança das Nações, que seria realizada nesta terça-feira, sobre um ultimato para que o Iraque se desarme ou enfrente uma ação militar.
O presidente norte-americano, George W. Bush, telefonou na segunda-feira para o presidente da China, Jiang Zemin, enquanto seus assessores mantinham contatos telefônicos com outros líderes mundiais, numa tentativa de angariar apoio para o ultimato, que fixa o dia 17 de março como prazo final para o Iraque.
Mas, com o Conselho de Segurança iniciando um debate aberto sobre a crise nesta terça-feira, diplomatas disseram que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha estavam preparados para adiar a votação pelo menos até a próxima quinta-feira.
“Nós estamos no terreno da diplomacia”, disse o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, sugerindo que Bush pode ainda estar aberto a emendas para tornar a resolução final mais palatável a países indecisos no Conselho de Segurança.
Washington e Londres estariam explorando meios para incluir no texto do ultimato objetivos específicos de desarmamento, os quais o Iraque teria que cumprir em um prazo específico.
“Há idéias sendo exploradas e analisadas, e, por isso, ainda é muito cedo para dizer o que será incluído no documento final a ser votado”, declarou Fleischer.
Bush já ameaçou ir à guerra para remover o presidente Saddam Hussein do poder com ou sem apoio da ONU.
Mas, nos últimos dias, o presidente norte-americano adotou uma postura mais contida, em parte devido aos altos custos políticos para aliados, como o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, que enfrenta uma revolta em seu próprio Partido Trabalhista.
Diplomata norte-americano renuncia
E num sinal de oposição também dentro do governo dos Estados Unidos, um segundo funcionário do Departamento de Estado, o diplomata John H. Brown, apresentou sua renúncia, na segunda-feira.
Brown entrou para o serviço diplomático em 1981 e serviu em Londres, Praga, Cracóvia (Polônia), Kiev, Belgrado e Moscou.
Em carta ao secretário de Estado, Colin Powell, o diplomata escreveu: “Eu não posso, em sã consciência, apoiar os planos de guerra do presidente Bush contra o Iraque”.
“Por todo o globo, os Estados Unidos estão ficando associados ao uso injustificado da força”, prosseguiu, acrescentando que o “desdém” de Bush em relação aos pontos de vista de outros países está dando lugar a um sentimento anti-EUA.
Há menos de um mês, um importante diplomata norte-americano, o assessor político John Brady Kiesling, renunciou a seu cargo, na Grécia, em protesto contra a política do Governo Bush para o Iraque.
Situação no Conselho de Segurança
Os Estados Unidos esperam conseguir os nove dos 15 votos necessários no Conselho de Segurança para obter alguma legitimidade moral para seu ultimato, mesmo se a resolução for rejeitado por um país detentor de poder de veto.
Até agora, Washington pode contar com quatro votos – os outros três são de Grã-Bretanha, que tem poder de veto, Espanha e Bulgária.
França, Rússia e China – os outros três países com poder de veto –, Alemanha e Síria defendem a concessão de mais tempo para que os inspetores de armas da ONU concluam seus trabalhos no Iraque.
Já o Paquistão, o Chile, o México, Angola, Camarões e Guiné ainda não assumiram compromissos.




