17/03/2003 16h41 – Atualizado em 17/03/2003 16h41
Inevitavelmente ofuscada pela crise no Iraque, a conferência vai discutir durante uma semana temas que, segundo os organizadores, terão mais impacto sobre a humanidade no século 21 do que os atuais acontecimentos no Oriente Médio.
Na abertura do fórum, no domingo, o brasileiro Jerson Kelman, presidente da Agência Nacional de Água, recebeu o Prêmio Mundial de Água, juntamente com Mahmud Abu-Zayd, ministro de Recursos Hídricos e Irrigação do Egito.
O júri internacional justificou sua escolha dizendo que ambos trabalham na busca pelo melhor aproveitamento de água, servindo de exemplo para outros países.
Água da chuva
O prêmio foi entregue pelo príncipe Moulay Rachid, herdeiro do trono do Marrocos.
O príncipe Naruhito, do Japão, abriu o fórum com um alerta de que o mundo enfrenta uma crise de água, com escassez, poluição e enchentes por todo o planeta.
Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) disseram a delegados que plantações irrigadas com água da chuva teriam um papel importante em abrandar a escassez de água fresca.
O ex-primeiro ministro japonês Ryutaro Hashimoto disse que é importante levantar discussões sobre o assunto.
“Já foi estabelecida uma meta para reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso a água limpa e saneamento básico até 2015”, disse ele à agência de notícias AFP.
“Agora é hora de perseguir esses objetivos e fazer com que sejam cumpridos. É para isso que está sendo realizado o terceiro Fórum Mundial da Água”, acrescentou.
Mas enquanto existe uma concordância em relação à necessidade de se fazer alguma coisa, as soluções estão envoltas em controvérsias, que devem vir à tona nos próximos dias.
Grupos de pressão dizem que o fórum é dominado por empresas privadas que favorecem grandes projetos, como represas e grandes projetos de desvio de água, em vez de técnicas mais simples que poderiam ser usadas para conservar água de maneira mais efetiva para os mais pobres.
Especialistas da ONU pediram no domingo que outros países sigam o exemplo da China no uso da água da chuva em plantações.
O país construiu recentemente tanques para armazenar água da chuva, que fornecem água potável para cerca de 15 milhões de pessoas.
A técnica, antiga e simples, estava sendo deixada em segundo plano em favor de modernas redes de abastecimento.
Em muitas cidades, os sistemas de drenagem foram criados para remover água o mais rapidamente possível, desperdiçando água fresca que poderia ser estocada para o futuro.
Algumas cidades já estão fazendo um uso mais racional da água da chuva.
Em Tóquio, por exemplo, no principal estádio para luta de sumô, canais levam água da chuva do telhado para tanques de amazenamento no subsolo, que servem para abastecer os aparelhos de ar-condicionado que refrescam os espectadores.







