18/03/2003 09h38 – Atualizado em 18/03/2003 09h38
Ex-prefeito de Bonito e agora também ex-padre, Rooswelt Sá de Medeiros foi condenado, na semana passada, a 4 anos de prisão por tráfico de drogas. O autor da punição, juiz Thiago Nagasawa Tanaka, acredita tratar-se de condenação inédita no País. O bispo de Jardim, que há quatro anos tentava afastar Rooswelt do sacerdócio, também afirma ser a primeira vez que o Papa adotou medida tão severa relativa a um clérigo brasileiro. Ele foi demitido pelo Vaticano no dia 19 de fevereiro, mas só neste final de semana a medida foi tornada pública. O ex-padre pode recorrer da condenação por tráfico em liberdade.
Além de ter sido sumariamente demitido pelo Papa João Paulo II, o agora ex-padre de Bonito Rooswelt Sá de Medeiros foi condenado a quatro anos de prisão, no último dia 10, por tráfico de drogas. O processo tramita em segredo de Justiça, mas, segundo o juiz Thiago Nagasawa Tanaka, autor da decisão, “a condenação de um padre por tráfico de drogas deve ser um fato inédito no Brasil.”
Inédita também é, segundo declaração do bispo de Jardim, dom Bruno Pedron, durante entrevista à Rádio CBN ontem pela manhã, a demissão de um padre brasileiro pelo próprio Papa sem que tenha direito a qualquer tipo de recurso.
Por ter sido conivente com o narcotráfico, Rooswelt Sá de Medeiros foi enquadrado no parágrafo segundo do artigo 12 do Código Penal. É que em sua residência, no dia 27 de julho do ano passado, foi preso, sob a cama do padre, o ex-presidiário Gilson Pereira Padilha, 23 anos, com cerca de 70 gramas de cocaína e maconha. No mesmo dia também foi detido Eliel Fernando de Oliveira, denunciado por tráfico e condenado, na semana passada, a três anos de reclusão.
O ex-padre, que também já foi prefeito de Bonito e é proprietário de um dos principais pontos turísticos do município, a Ilha do Padre, chegou a ser detido no ano passado. Por decisão do Tribunal de Justiça, contudo, foi solto e agora também pode recorrer da sentença em liberdade. Mas, caso não consiga a absolvição, terá que cumprir pelo menos dois terços da pena (quase três anos) em regime fechado, uma vez que narcotráfico é considerado crime hediondo.
Menores
O processo de Rooswelt Medeiros corre em segredo de Justiça por envolver menores, os chamados “filhos do padre”, que moram em sua residência e trabalham como guias turísticos na ilha. Na delegacia e no Ministério Público, há inúmeras denúncias anônimas de que o ex-padre corrompia sexualmente os adolescentes. E foram justamente estas denúncias que pesaram no processo que culminou com a demissão papal.
Na Justiça Comum, contudo, segundo o juiz Thiago Tanaka, não há denúncias formais neste sentido. Procurado ontem, por telefone, Rooswelt Sá de Medeiros não foi localizado para falar sobre as duas condenações consideradas inéditas no País que lhe foram impostas.







