18/03/2003 08h22 – Atualizado em 18/03/2003 08h22
Fracassou a tentativa de manter a ligação aérea de Dourados com Campo Grande. Depois de uma temporada sem reservas de passagens, a Gensa (General Serviços aéreos), que operava a linha, suspendeu definitivamente os serviços e desativou o guichê que mantinha no Aeroporto Municipal Francisco de Matos Pereira. A empresa alega que a baixa demanda de passageiros é o motivo da desativação da linha. As lideranças da cidade praticamente não reagiram em relação à parda do serviço, até porque ele foi muito pouco usado. Durante os dois meses em que a empresa operou, a média de passageiros foi de um por dia. O vôo até a capital demorava 20 minutos e custava R$ 127. “O douradense não tem tradição de voar”, diz o empresário Luiz Zarpelon, presidente da Acid (Associação Comercial e Industrial de Dourados). No entanto, ele acha que a classe empresarial e o poder público não deram o incentivo devido à empresa. “Acho que o poder público deveria ter usado mais o transporte aéreo”, argumenta. Nilton Pires, presidente da CDL (Câmara dos Dirigentes Logistas), disse que o custo do vôo era caro. Segundo ele, fica mais barato ir de carro à capital. “É muito perto, são só 200 quilômetros”, alega. Já para Mário Sérgio Tompes, secretário de turismo, indústria e comércio do município, a Gensa deveria ter investido mais em publicidade. “Ela foi muito discreta na publicidade. Além disso, o preço da passagem não utilizado como estratégia”, disse. São Paulo Apesar do fracasso do projeto, que teve o envolvimento da Prefeitura e da classe empresarial, o assunto ainda continua sendo discutido. Luiz Zarpelon acha que um vôo direto para São Paulo, com um avião de grande porte, seria viável. “A associação vai continuar lutando para ter um vôo direto”, assegura. Nilton Pires sugere um vôo estratégico, de Ponta Porá, passando por Dourados, Presidente Prudente, até São Paulo. Ele diz que muita gente vai a capital paulista semanalmente para compras. “Mas temos que ser realista. É preciso fazer uma pesquisa bem feita para não acontecer o que aconteceu”, menciona. Para Tompes, não é preciso que o vôo seja direto para São Paulo. “Um grande centro, como Londrina, que tem uma boa distribuição de vôos já é suficiente”, explica. O secretário adianta que já está estudando com outras empresas a possibilidade de implantação em Dourados de um vôo desta natureza. O Aeroporto Municipal Francisco de Matos Pereira tem uma pista com 1940 metros de comprimento. A pista é suficiente para pousos e decolagens de aviões a jatos de médio porte, como um Foker 100, por exemplo, que tem capacidade para transportar 100 passageiros. A Gensa continua operando o vôo Corumbá-Campo Grande. Segundo a direção da empresa, neste itinerário são transportados 12 passageiros por vôo, em média. A cidade de Corumbá tem cerca de 80 mil habitantes, menos da metade do que a população de Dourados. A propósito do vôo direto para São Paulo, a Pantanal Linhas Aéreas chegou a operar um vôo com conexão para Presidente Prudente há alguns anos. Naquela época o projeto também fracassou.







