18/03/2003 08h16 – Atualizado em 18/03/2003 08h16
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ontem a defender uma solução pacífica para o conflito dos Estados Unidos com o Iraque, condenando a possibilidade de um ataque americano a Bagdá sem o aval da ONU (Organização das Nações Unidas). “Até o último momento devemos bater-nos por uma solução pacífica e, em qualquer caso, juntarmos esforços para defender o sistema multilateral e a Carta da ONU”, disse Lula, em discurso antes de almoçar com o primeiro-ministro da Malásia, Mahatir Mohamad, no Itamaraty. Lula esperava receber ainda ontem um telefonema do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em resposta à sua proposta de realização de uma reunião com líderes de diversos países na busca de uma saída diplomática para a guerra. O presidente brasileiro defende o fortalecimento da ONU para fazer frente à hegemonia dos Estados Unidos. “Devemos persistir tenazmente no processo de reforma da ONU. As Nações Unidas devem ecoar as mudanças ocorridas na cena internacional nos últimos 50 anos e assim continuar a desempenhar seu papel insubstituível na promoção da paz e do desenvolvimento entre os povos”. Lula destacou que o Brasil e a Malásia têm a mesma posição em relação à guerra. “Brasil e Malásia vêem com a mesma preocupação a possibilidade de um desfecho não-pacífico da crise no Iraque sem o endosso das Nações Unidas”, disse Lula. “Coincidimos na defesa de um sistema mundial aberto e democrático. Defendemos o fortalecimento do multilateralismo e das Nações Unidas, em especial nesta fase de crise internacional que vivemos”. A visita do primeiro-ministro malaio, que deixará o cargo em outubro, teve caráter de cortesia e não serviu para a assinatura de nenhum acordo entre os dois governos. Ele e Lula, no entanto, discutiram a ampliação do comércio bilateral, que alcançou US$ 639 milhões no ano passado. Sem citar os Estados Unidos, Mahatir Mohamad criticou a disposição do presidente George W. Bush de atacar o Iraque. “Nenhum posicionamento unilateral, em termos de questões internacionais, deveria abalar a paz e a segurança internacionais”, disse ele. “Os conflitos deveriam ser resolvidos pacificamente, sob a égide das Nações Unidas, e as nações não deveriam utilizar-se do recurso à guerra”. Na linha dos discursos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula reafirmou que a luta contra o terrorismo não deve tirar da agenda mundial o compromisso de combate às desigualdades entre os países. “O Brasil, ao favorecer a luta sem trégua contra o terror, tem afirmado que esse combate não deve ofuscar a luta contra as desigualdades sócio-econômicas no mundo”, disse Lula, defendendo a “verdadeira abertura comercial dos mercados dos países ricos” e “a construção de uma nova arquitetura financeira”. (Agência Estado)






