18/03/2003 10h30 – Atualizado em 18/03/2003 10h30
A Duma ou câmara baixa do Parlamento russo retirou de sua agenda hoje, terça-feira, a ratificação do Tratado de Reduções Ofensivas Estratégicas assinado no ano passado com os Estados Unidos, o que alguns deputados relacionaram com a crise do Iraque.
O vice-presidente do Comitê de Defesa do Parlamento, Serguéi Shishkariov, anunciou que o Conselho da Duma retirou da agenda a ratificação desse pacto, assinado pelos presidentes dos EUA, George W. Bush, e da Rússia, Vladimir Putin, em maio de 2002 em Moscou.
O tratado, considerado como um dos mais importantes em matéria de desarmamento assinados por Washington e Moscou, prevê reduzir em um prazo de dez anos os respectivos arsenais nucleares até deixá-los entre 1.700 e 2.200 ogivas atômicas.
Com vigência até 31 de dezembro de 2012, o acordo deixou em liberdade absoluta os dois países para concordar esse teto máximo de armas atômicas e a maneira de efetuar a redução.
Este importante pacto já foi ratificado pelo Senado dos EUA e estava pendente no Parlamento russo.
Durante os debates na Duma prévios à ratificação do tratado que começaram na semana passada, vários deputados haviam se manifestado em favor de adiar a votação diante da piora da situação em torno do Iraque.
“Diante da situação política desfavorável (depois do ultimato dado por Bush ao Iraque), existe a sensação de que é inoportuno estudar este assunto”, declarou hoje à agência Interfax o presidente do Comitê de Assuntos Exteriores da Duma, Dmitri Rogozin.
Apesar da medida dos deputados, o Ministério russo de Assuntos Exteriores se manifestou hoje em favor da pronta ratificação do acordo, “para garantir a estabilidade das relações estratégicas entre Moscou e Washington a longo prazo”, desvinculando-a assim da crise iraquiana.







