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quinta-feira, 14 de maio de 2026

À beira do ataque de Bush

19/03/2003 10h01 – Atualizado em 19/03/2003 10h01

7 entre 10 americanos aprovam a decisão de Bush de iniciar ofensiva ao Iraque, segundo pesquisa do Washington Post e da TV ABC.

Às 22h15 de hoje em Brasília (4h15 da manhã de quinta-feira em Bagdá), vence o ultimato dado pelo presidente americano, George W. Bush, para que Saddam Hussein e seus familiares deixem o país. É o fim da contagem da regressiva acompanhada por todo o mundo desde anteontem à noite, quando Bush foi à TV anunciar o prazo de 48 horas para Saddam exilar-se ou preparar-se para os ataques.

Analistas internacionais e estrategistas militares consideravam ontem que a ofensiva americana poderia começar antes mesmo do vencimento do prazo, já que Saddam Hussein rejeitou publicamente o ultimato (veja matéria).

Os Estados Unidos anunciaram ontem ter o apoio de 45 países para a guerra. Segundo o secretário de Estado, Colin Powell, 30 deles assumem publicamente o apoio e formam a Coalizão Pelo Desarmamento Imediato do Iraque (veja quadro) e 15 preferem o anonimato.

Com um poderoso arsenal na região do Golfo Pérsico que inclui porta-aviões (veja quadro), bombas e cerca de 250 mil homens, as forças americanas estão prontas para o ataque desde janeiro.

Os homens que começam as guerras dos Estados Unidos já estão no Iraque há 50 dias, infiltrados pelas fronteiras norte, sul e oeste. As equipes das Forças Especiais chegaram ao país no início de janeiro, quando ainda havia gelo nas montanhas onde desceram, voando rápido em seus pára-quedas especiais de tecido preto.

São poucos, talvez não mais de 250 homens, preparando a operação que ainda não tem um nome, mas tem três objetivos: destruir os arsenais de armas estratégicas de Saddam Hussein, derrubar o regime e instalar um governo de ocupação.

Em ação

O trabalho atual dos grupos americanos, apoiados pelos equivalentes britânicos do Esquadrão Areia do Special Air Service (SAS) já chegou, ao menos em parte, ao noticiário dos jornais.

Nas últimas duas semanas três grandes centrais C3 (de comando, controle e comunicações) das forças do Comando Militar Norte foram atacadas pela aviação dos EUA, em Kirkuk, e britânica, em Mosul.

Isoladas sob toneladas de concreto e empregando uma sofisticada rede de fibras óticas na troca de informações, as centrais só puderam ser bombardeadas com mísseis de precisão a partir de uma ação em terra para a designação dos alvos.

“Foram os nossos rapazes, apontando com o dedo para o endereço dos bandidos, pode ter certeza disso”, afirma o ex-combatente e integrante das Forças Especiais dos Estados Unidos, Andrew Andy M., diretor da Fundação de Defesa Nacional. Andy deixou o Exército em 1993 como oficial condecorado. Foi contratado por uma multinacional da indústria do petróleo. Atualmente ele trabalha no Brasil, na exploração da bacia de Campos. “Militares, petróleo e fabricantes de armas andam juntos pelo mundo” acredita o militar da reserva.

Decisão

Para Andrew M., os soldados encarregados das ações preliminares do conflito como sabotagem, eliminação de lideranças inimigas, resgate em zonas de combate e missões militares especiais podem ser decisivos mesmo antes que a primeira bomba seja lançada.

Na opinião do militar “a defesa antiaérea iraquiana é poderosa, tem 3 mil estações de artilharia e mais de mil de mísseis terra-ar, tudo isso modernizado ao longo dos últimos cinco anos. Só as Forças Especiais podem neutralizar previamente as centrais de coordenação. Fazemos o que tem de ser feito.” (Agências internacionais)

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