20/03/2003 16h30 – Atualizado em 20/03/2003 16h30
BAGDÁ – Poderosas explosões sacudiram a capital do Iraque a partir das 20h (horário local) desta quinta-feira e as sirenes já foram ouvidas novamente em Bagdá. Enquanto isso, tropas americanas e britânicas avançam no sul do país, oriundas do Kuwait. A guerra já se transformou em uma série de ataque e revides. Um porta-voz do Exército Britânico disse que dez mísseis iraquianos atingiram o solo do Kuwait, mas não informou se houve feridos. Qusay Hussein, filho do presidente iraquiano, Saddam Hussein, afirmou que cinco mil homens e mulheres com cinturões explosivos presos ao corpo foram espalhados em pontos estratégicos do país para tentar atingir os militares americanos. A ordem dada a eles teria sido: “Ou a vitória ou o martírio”.
De acordo com a TV estatal iraquiana, quatro soldados foram mortos e cinco ficaram feridos nesse primeiro dia de ataques a Bagdá. O ataque americano começou por volta das 5h35m em Bagdá (23h35m no horário de Brasília) e prosseguiu por todo o dia.
Em Bagdá, as emissoras de TV mostraram várias explosões da segunda leva de bombardeios, que durou dez minutos, e gigantescas colunas de fumaça saindo de ao menos três locais da capital iraquiana. Havia rumores de que o escritório do vice-premier do Iraque, Tareq Aziz, braço-direito de Saddam, teria sido atingido.
Vários prédios em Bagdá estavam em chamas depois que os mísseis cruzeiro americanos atingiram a cidade, afirmaram testemunhas à Reuters. O jornalista da agência Nadim Ladki afirmou que pôde ver vários edifícios em chamas no sudeste da cidade e perto das instalações do Ministério do Planejamento, no centro de Bagdá. Pessoal do corpo de bombeiros e ambulâncias se dirigiam ao local dos incêndios.
Enquanto isso, no sul do Iraque, tropas americanas e britânicas tomaram uma primeira cidade. De acordo com a BBC News, a cidade ocupada chama-se Uum Qasr e está localizada na fronteira com o Kuwait.
Na investida terrestre, houve confronto entre tropas da Primeira Força Expedicionária dos Fuzileiros Navais americanos e os iraquianos. Um grupo de soldados iraquianos se rendeu para os Fuzileiros Navais logo após o grupamento americano ter entrado no Iraque pelo Kuwait, informou a rádio CBS. O jornalista da CBS que viajava com os fuzileiros afirmou que os soldados iraquianos estavam em uma mina quando foram interceptados pelas forças americanas. A rádio não informou quantos soldados se entregaram. Um correspondente da rede de televisão ABC, que estava com os fuzileiros no sul do Iraque, também informou que um número não divulgado de soldados iraquianos havia se rendido no local.
Um porta-voz do Exército do Iraque disse que um helicóptero inimigo foi derrubado quando as tropas americanas e britânicas atacavam o país. A informação foi divulgada pela rede de televisão estatal do Iraque.
- Um helicóptero americano do tipo Sikorsky, usado para transportar soldados e equipamentos, foi derrubado quando tentava entrar no espaço aéreo iraquiano para realizar um ataque. Vida longa ao Iraque – disse o porta-voz.
O comunicado iraquiano não forneceu mais detalhes sobre a ação. O porta-voz do Exército dos EUA não foi localizado. A companhia Sikorsky fabrica helicópteros Black Hawck, usados pelos militares americanos para levar tropas para o combate.
Um projétil caiu próximo a um terminal de exportação de petróleo no Kuwait, mas não há registro de danos. As informações foram dadas por testemunhas que moram no local. O projétil caiu no mar, sem explodir, e afundou, segundo as testemunhas. O terminal fica a 20 quilometros da segunda maior refinaria do mundo. O porta-voz do ministro da Defesa kuwaitiano disse que o caso já está sendo analisado.
Na esteira dos mísseis disparados pelo Iraque contra o Kuwait, militares aliados alertavam para o risco de um ataque iminente com armas químicas.
Roupas de proteção contra ataques com agentes químicos e biológicos foram distribuídas à imprensa, num hotel de luxo no sul da Cidade do Kuwait, por funcionários dos governos britânico e americano que diziam ter informações de que um ataque iraquiano com armas não-convencionais era iminente.
- Temos informações fidedignas de que um ataque virá em breve – disse um dos funcionários.






