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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Guerra afetará exportação de carne do Estado

21/03/2003 08h49 – Atualizado em 21/03/2003 08h49

O início da guerra dos Estados Unidos contra o Iraque vai reduzir e pode até paralisar as exportações de carne bovina de Mato Grosso do Sul aos países árabes. O Estado, que mantém estreito relacionamento comercial com os 22 países que integram a Câmara de Comércio Árabe, exportou em 2001 US$ 9,428 milhões em carne bovina para a região, enquanto em 2002 o montante ficou em US$ 8,011 milhões.

A previsão é do professor de Sociologia da UFMS, David Emmanuel Tauro. Para ele, durante o conflito, os portos da região estarão ocupados por embarcações militares. Por essa razão, a marinha mercante terá dificuldade em desembarcar mercadorias para os países do Oriente Médio.

“Pense bem. Um navio de qualquer bandeira será visto com desconfiança pelos norte-americanos. Eles vão temer que estejam sendo levadas armas para os iraquianos”.

Mesmo considerando que é muito cedo para avaliar os efeitos que a guerra terá sobre as exportações de carne, o empresário Antônio Russo Neto, proprietário de um dos maiores grupos frigoríficos do Brasil, o Independência, ressalta que há preocupação do setor com a possibilidade de problemas no transporte da carne.

“Estamos em compasso de espera para ver o que vai acontecer”, destacou, lembrando que os cortes congelados de bovino seguem para os países árabes de navio. “Nós dependemos do mar para exportar nossos produtos e o Governo americano está fazendo uma fiscalização rigorosa de todos os navios que seguem para a região, verificando inclusive se não existem armas nas embarcações”, frisou. Ele destaca que há 15 dias um navio grego que saiu do Brasil carregado com carne bovina do Independência e frango da Sadia com destino ao Egito, foi interceptado por soldados americanos. Com a inspeção, os navios ficaram parados por 5 dias.

Por isso, Russo destaca que, a partir de agora, os atrasos não estão descartados já que a guerra envolve um forte esquema de logística. “Caso ocorram problemas de entrega a culpa não será dos exportadores mas sim da logística da navegação, diante do conflito”, frisou. Ele lembra que até o momento nenhum porto foi atingido e por isso os desembarques ocorrem normalmente, mas não há como prever se o escoamento continuará fluindo normalmente.

O empresário disse ainda que os contratos de exportação firmados com os países árabes continuam sendo cumpridos normalmente. “O Independência, por exemplo, fechou há 60 ou 90 dias uma grande venda de carne para o Irã. E por enquanto tudo está normalizado”, frisou. Russo destaca também que os contratos são feitos durante todo o ano, e o bom desenvolvimento das exportações vai depender de quais países irão se envolver no conflito e o tempo de duração da guerra.

Grandes compradores

Para o diretor do Centro das Indústrias de Mato Grosso do Sul (CIEMS), Aldo Barrigosse, a guerra poderá afetar não só as relações com os países árabes, como também as vendas de carne e soja para grandes compradores como é o caso da União Européia (carne e soja) e a Rússia (que, é um dos maiores compradores de carne suína de MS). É que estes países são contrários à guerra, e há risco de sofrerem retaliação. “Tudo vai depender da duração do conflito”, ressalta Aldo.

Mas o reflexo mais intenso, segundo ele, vai ocorrer no mercado consumidor. “A tendência é de que, com a guerra, os preços dos combustíveis possam subir, puxando o custo do frete. Isso poderia elevar os preços de produtos como o óleo de soja, carne e os legumes”, frisou.

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