22/03/2003 10h39 – Atualizado em 22/03/2003 10h39
BAGDÁ – Tropas dos EUA e da Grã-Bretanha capturaram há pouco a segunda maior cidade do Iraque, Basra, que fica no sul do país, informou a rede de notícias britânica BBC. A informação ainda não foi confirmada oficialmente pelo Comando Central Aliado.
Tanques do corpo de fuzileiros navais dos Estados Unidos tinham entrado em confronto com forças iraquianas na periferia de Basra – a maior cidade iraquiana depois de Bagdá e a mais importante do sul. Por ela, passa, em oleodutos, a maior parte da produção de petróleo do país.
- Estamos atacando forças iraquianas, que estão localizadas a oeste de Basra. Eu diria que com certeza esta é uma grande batalha – disse mais cedo o capitão americano Andrew Bergen a repórteres.
Segundo o correspondente da NBC David Shuster, que está no quartel-general dos EUA em Doha, no Qatar, as forças aliadas estavam tentando negociar a rendição da brigada iraquiana que está dentro de Basra. A intenção era evitar embates urbanos e entrar na cidade como “libertadores”. Um porta-voz dos aliados confirmou a negociação que pedia a rendição de Basra.
- Vamos usar a negociação em vez do poderio militar para conseguir qualquer progresso – disse o capitão Al Lockwood, principal porta-voz do centro de comando das forças americanas e britânicas no Golfo Pérsico.
Na manhã deste sábado, colunas do Exército dos EUA que entraram pelo sul já tinham avançado 200 quilômetros em território iraquiano, na direção de Bagdá. As forças aliadas encabeçadas pelos EUA tomaram a cidade de Nassiriya, disse o porta-voz do Comando Central americano no Qatar, Stuart Upton, sem dar maiores informações.
- Nassiriya capitulou – disse ele.
A cidade é um ponto estratégico perto do Rio Eufrates e está localizada a cerca de 320 quilômetros ao sul de Bagdá.
Tropas dos EUA também asseguraram o controle de uma ponte sobre o Rio Eufrates, a oeste da cidade de Nassiriya, em uma manobra para abrir caminho em direção à capital do Iraque, disse um oficial americano.
- Nós estabelecemos postos de controle nos dois lados da ponte – disse o militar.
Viajando com a 3ª Divisão de Infantaria dos EUA, o correspondente da agência Reuters Andrew Gray afirmou que pôde ouvir explosões, aparentemente causadas por artilharia ou granadas, na área próxima à ponte.
Informações cruzadas – Na sexta-feira, os EUA e as forças de sua coalizão avançaram rapidamente pelo deserto do Iraque, capturando pontos-chave do sul do país. No segundo dia da guerra batizada pela Casa Branca de “Operação Liberdade do Iraque”, os aliados disseram que haviam tomado o porto de Umm Qasr, além de campos de aviação e de petróleo. Fontes do Pentágono citadas disseram que uma divisão inteira do Exército iraquiano rendeu-se aos fuzileiros navais americanos que rumam para Bagdá. Estima-se que a 51ª Divisão é formada por 8 mil homens.
Neste sábado, no entanto, os fuzileiros navais ainda enfrentavam bolsões de resistência iraquiana no estratégico porto de Umm Qasr.
- Nós encontramos alguma resistência. Isso (a tomada do porto) não está acontecendo tão rápido como gostaríamos. Ainda há alguma leve resistência dentro da cidade – disse o coronel Thomas Waldhauser, comandante da 15ª Unidade Expedicionária do Corpo de Fuzileiros Navais americanos, acrescentando que os aliados esperam tomar o controle total de Umm Qasr ainda neste sábado.
Em entrevista coletiva após a noite de fortes bombardeios em Bagdá, o ministro da Informação, Mohammed Saeed al-Sahaf, negou que tropas anglo-americanas tenham tomado Umm Qasr e duas bases aéreas no deserto. Segundo ele, as informações não passavam de “ilusões e mentirasdocument.write Chr(39)document.write Chr(39).
Al-Sahaf negou ainda que os aliados tenham capturado a estratégica península de Faw, onde estão muitas instalações petrolíferas.
- Eles falharam em destruir nossas defesas em Umm Qasr. Nossas forças ainda estão lá e as batalhas têm sido duras. Nós ferimos vários deles – afirmou.
Sahaf também negou que forças iraquianas foram tomadas como prisioneiras e chamou as tropas aliadas de “gangue de criminosos de guerra”.
Um porta-voz do Exército do Iraque disse também que toda a 51ª divisão das forças iraquianas continuava combatendo. “A 51ª Divisão do Exército ainda está combatendo as tropas invasoras de forma feroz e corajosa, sendo que forças inimigas já tiveram terríveis perdas”, disse o porta-voz, em declaração lida na TV iraquiana.




