09/04/2003 15h01 – Atualizado em 09/04/2003 15h01
PEQUIM (CNN) — Médicos da Organização Mundial de Saúde (OMS) declararam nesta quarta-feira, na primeira entrevista coletiva desde que retornaram a Pequim da província chinesa de Guangdong, que não estão otimistas quanto à rápida erradicação da pneumonia atípica, ou síndrome respiratória aguda (SARS), que já matou mais de 100 pessoas em todo o mundo.
“A SARS continuará conosco, por enquanto. Ainda temos muito a fazer. Temos que descobrir a causa. E encontrar um tratamento”, observou o doutor Henk Bekedam, um representante da OMS na China.
Bekedam disse que apesar de as autoridades de saúde estarem começando a saber como evitar a doença, ainda têm que descobrir “como conter sua propagação”.
As autoridades passaram seis dias em Guangdong – local que está sendo considerado a origem do surto. Os primeiros casos de SARS foram registrados nessa província, em novembro passado.
Em Guangdong, os médicos da OMS conversaram com autoridades de saúde locais, visitaram hospitais e estiveram com vítimas da doença.
O correspondente da CNN Steven Jiang relatou que as autoridades estão investigando várias teorias sobre como a doença é contraída e se propaga.
Jiang disse que uma hipótese envolve um tipo de paciente chamado de “super propagador” – uma pessoa altamente infecciosa, capaz de contaminar um número significativamente maior de pessoas.
As autoridades citaram como exemplo o caso de um paciente na China que transmitiu a doença para mais de uma dezena de profissionais de saúde que cuidaram dele.
Uma segunda teoria seria de que a SARS é na verdade uma combinação de viroses.
Uma terceira explicação vincularia a pneumonia a uma nova cepa de coronavírus, cujos outros tipos são normalmente encontrados em animais.
“Poderemos descobrir se um coronavírus é realmente o agente causador da SARS analisando amostras de pacientes de Guangdong,” disse o doutor Wolfgang Preiser, um integrante da equipe da OMS que viajou à província. “Mas é muito cedo para tirarmos qualquer conclusão”.
As autoridades admitiram saber muito pouco sobre casos da doença em outras partes da China, mas disseram que esperam obter mais acesso e cooperação do resto do país.





