10/04/2003 14h00 – Atualizado em 10/04/2003 14h00
Vereadores de Dourados se posicionaram favoráveis à revisão da dívida que a prefeitura tem com a empresa Prodados. Na sessão de terça-feira, até opositores a Laerte Tetila (PT) demonstraram interesse em participar da “cruzada contra o precatório milionário”, lançada pelo prefeito esta semana. A assessoria de Tetila classificou de “cena rara” o discurso dos oposicionistas em defesa da administração petista. Tetila disse que ao se manifestar em maioria contra os valores da dívida, classificados por ele como “absurdos”, a Câmara “fica do lado de Dourados”. Segundo a prefeitura, a dívida chega a R$ 10 milhões. O município perdeu recurso no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e pode sofrer intervenção estadual. A Prodados fazia processamento de dados e impressão de carnês de IPTU para a prefeitura na década de 80, na administração Luiz Antônio Gonçalves. O vereador Domingos Alves (PMDB) disse que o valor é “absurdo”. “Seria interessante sabermos se os ex-administradores da nossa cidade tratam com o mesmo descaso seus patrimônios pessoais”, questionou Domingos. A administração Tetila tem insistido em deixar claro que não foi a responsável pela dívida. Também não pagou nenhum centavo do débito até agora. O empresário Ruy Gomes, dono da Prodados, diz que no início de 2001procurou Tetila e sugeriu que o parcelamento, feito pelo ex-prefeito Braz Melo (PPB), fosse retomado. Não houve acordo. Na sessão de terça-feira, o presidente da Câmara, José Carlos Cimatti, defendeu o recálculo e ponderou que “a população não pode pagar por essa dívida”. COFRES As críticas mais pesadas partiram do vereador Ribeiro Arce (PT). “Trata-se de um roubo, um arrombamento dos cofres municipais”, afirmou. Ele comparou os valores pagos este ano por Tetila (R$ 60 mil por 65 mil carnês emitidos) aos R$ 10 milhões, em valores atualizados, que teriam sido pagos na década de 80 pela confecção de 30 mil carnês. Ribeiro manifestou “solidariedade” à intenção do prefeito de acionar o MPE (Ministério Público Estadual) para investigar o caso. O vereador Akira Oshiro (PPS) disse que o desfecho do caso depende da Advocacia Geral do Município. “A meu ver é um problema judicial e que, portanto, requer uma saída judicial”, destacou Oshiro. Para a vereadora Margarida Gaiher (PT), líder do prefeito na Câmara, “a Justiça vem sendo ludibriada por artifícios jurídicos e cálculos mirabolantes feitos pelos advogados da Prodados, que têm um único objetivo: lesar o povo de Dourados de forma escandalosa”. Em 2000 houve mobilização semelhante dos vereadores, que constituíram CPI para apurar o caso. O relatório sugeriu a suspensão dos pagamentos estabelecidos nas decisões judiciais.





