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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Estudo: técnicas atuais impedem clonagem de seres humanos

14/04/2003 09h22 – Atualizado em 14/04/2003 09h22

WASHINGTON — Clonar seres humanos ou outros primatas pode ser impossível com as técnicas atuais devido a um fundamental obstáculo molecular, informaram cientistas, nesta semana, ao tentar entender as razões ocorridas nas tentativas frustradas na clonagem de macacos.

Para começar, as células do clone primata não se dividem adequadamente, causando uma confusão entre os cromossomos, tão anormal que sequer consegue iniciar uma gravidez, informaram pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, na revista Science.

“Muitas pessoas no campo da clonagem ficarão surpresas com isso”, disse o pesquisador Gerald Schatten, que dirigiu o estudo.

“Esse trabalho demonstra que existe uma brecha nesse processo; não sabemos quão larga e profunda é essa brecha, mas estamos estudando estratégias para explorá-la”.

Diversos animais clonados, incluindo vacas, porcos, ratos, cabras e gatos, já nasceram desde que a ovelha Dolly se tornou a primeira criação realizada através da clonagem de uma célula adulta, em 1997.

Mas, ainda é um campo muito incerto: muitos nascem mortos e outros apenas sobrevivem com graves defeitos.

Uma seita religiosa reivindicou, em dezembro passado, que havia clonado o primeiro ser humano, mas nunca provou a façanha.

Um outro médico que está tentando clonar seres humanos publicou os primeiros dados obtidos em sua pesquisa em uma página na Internet, mas não relatou informações sobre cromossomos.

Os especialistas estão preocupados porque a tentativa de se criar clones humanos é perigosa não apenas devido a todos os riscos de se produzir criaturas com defeitos de nascimento, mas também porque as tentativas de se clonar macacos com a mesma técnica usada com Dolly falharam até agora.

Para realizar a clonagem, os cientistas recolhem um óvulo sem fertilizar de uma doadora fêmea, removendo o material genético e colocando um novo DNA em seu lugar, retirado de uma célula adulta do animal a ser clonado.

Uma reação elétrica produz a divisão do óvulo e, se tudo corre bem, o óvulo se desenvolve em um embrião que pode ser implantado em uma mãe de aluguel.

Antes do nascimento de Dolly, os cientistas que criaram a ovelha realizaram 277 tentativas.

O grupo de Schatten, por sua vez, trabalhou muito mais para tentar clonar um macaco rhesus, utilizando 724 óvulos que resultaram em somente 33 embriões e nenhuma gravidez.

Para que as células se dividam corretamente, os cromossomos devem se duplicar por si mesmos e de uma maneira precisa ao longo de uma estrutura parecida com um zíper, chamada fuso.

Uma vez que os cromossomos estão em seus lugares, o fuso ajuda a célula a separá-los em dois.

Durante a reprodução humana, se os cromossomos não se dividem da maneira correta, o feto pode ter defeitos como a síndrome de Down ou, simplesmente, a gravidez não ocorre.

Schatten quis saber se essas anormalidades com cromossomos estão atrás das falhas na clonagem dos macacos.

E, de fato, os pesquisadores de Pittsburgh encontraram fusos deformados e um número caótico de cromossomos nas células dos macacos clonados.

Por que? As proteínas que agem como propulsores moleculares nos óvulos são fundamentais para a formação do fuso.

Nos primatas, essas proteínas estão tão ligadas ao DNA dos óvulos que na primeira fase da clonagem, onde se remove o DNA, retira-se também essas proteínas, arruinando as esperanças de uma gravidez, explicou Schatten.

Já em outros mamíferos, há uma maior quantidade de proteína em seus óvulos, o que não compromete a reprodução realizada por clonagem, disse o pesquisador.

“Essa descoberta é muito importante”, disse o dr. Duane Kraemer, um bem sucedido especialista em clonagem de não-primatas na Universidade A&M do Texas.

“O fato de não conseguirem gravidez alguma sugere que algo diferente acontece e é um problema que precisa ser resolvido antes de se passar à próxima fase da clonagem”.

Essa notícia não é má apenas para os que trabalham com clonagem reprodutiva.

Também significa que os campos relacionados à clonagem terapêutica, como o uso de células-tronco de embriões para criar tecidos personalizados para tratamentos médicos, podem ser comprometidos, segundo Schatten.

Entretanto, se 95 por cento das células cultivadas em laboratório possuem cromossomos anormais, os cinco por cento restantes ainda poderiam ser utilizados, cogitou.

Seu laboratório está explorando uma maneira de superar o problema, combinando a clonagem com velhas técnicas de fertilização.

O espermatozóide e o óvulo são unidos e iniciam a criação do fuso. Então, Schatten retira o DNA do espermatozóide e do óvulo, deixando apenas o DNA do clone na célula do macaco que está em crescimento.

“O valor dessa descoberta para a produção de células-troncos embrionárias será bastante atraente”, disse Schatten.

(Com informações da Associated Press)

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