09/05/2003 07h49 – Atualizado em 09/05/2003 07h49
LONDRES — Um teste que analisa o perfil genético de cada mulher pode prever se o câncer de mama se disseminou para os gânglios linfáticos, o que é importante para determinar a sobrevivência da paciente a longo prazo, anunciaram pesquisadores, nesta sexta-feira.
Cientistas do Centro Médico da Universidade de Duke, no estado norte-americano da Carolina do Norte, desenvolveram um método de perfil genético que analisa grandes grupos de genes determinantes no comportamento do tumor e em sua resposta ao tratamento, com o objetivo de elaborar um perfil de risco para cada mulher.
Os médicos usam o índice de disseminação do câncer nos gânglios linfáticos como um instrumento de diagnóstico para determinar a agressividade do tumor e os tratamentos que serão necessários para a paciente.
“Nosso modelo é o exemplo mais claro, até agora, de um avanço no campo da medicina personalizada”, disse Erich Huang, um dos autores do estudo.
“Como médicos, não desejamos dizer apenas a uma mulher que ela se encontra na categoria de risco A ou B, mas também que podemos prever seu grau de risco pessoal com base no seu perfil único de genes e de seus parâmetros clínicos”.
As mulheres cujo câncer não atingiu os gânglios linfáticos têm melhores possibilidades de combater a doença que as pacientes que possuem células cancerosas em seus gânglios.
No entanto, não se trata de um método infalível para determinar o risco de incidência da doença, pois as mulheres cujo câncer não atingiu os gânglios podem apresentar recorrência. Já aquelas com muitas células cancerosas nos gânglios podem se curar depois do tratamento inicial.
O teste determina a atividade dos denominados metagenes, que são grupos de 50 a 100 genes que têm características similares.
O estudo revelou que alguns metagenes intervêm na disseminação do câncer e outros podem ajudar a prever as possibilidades de incidência do câncer na mama.
Na pesquisa, apresentada na revista médica The Lancet, Huang e seus colegas, assim como cientistas do Centro Médico Sun Yat-Sen, da Fundação Koo, em Taipé, que colaboraram no estudo, disseram que o teste tem uma precisão de 90 por cento para prever que mulheres, sem gânglios linfáticos cancerosos, ou com poucos, teriam uma incidência de câncer em um lapso de três anos.
Os cientistas estão aperfeiçoando o teste para eliminar ambigüidades que levam à previsões menos exatas.
“Nosso estudos estarão dirigidos a refinar as análises para eliminar esta ambigüidade e, assim, melhorar nossa capacidade para prever com precisão o resultado de cada paciente”, explicou Joseph Nevins, da Universidade de Duke, um dos participantes do estudo.
(Com informações da Reuters)





