22/05/2003 10h32 – Atualizado em 22/05/2003 10h32
PARIS — Professores franceses formaram uma corrente humana em torno do Ministério da Educação, nesta quinta-feira, na segunda greve esta semana contra os planos do governo de congelar os gastos, reformar o sistema previdenciário e descentralizar o sistema educacional do país.
Os sindicatos afirmaram que cerca de 50 por cento dos professores aderiram à greve e 35 mil pessoas participaram da manifestação em Paris.
As autoridades estimaram que apenas 30 por cento da categoria cruzaram os braços.
A mobilização desta quinta-feira foi a sexta greve de professores desde o início do ano letivo, em setembro passado.
Os sindicatos opõem-se ao projeto do governo de aumentar o valor e de estender o tempo de contribuição para os esquemas de pensão e aposentadoria.
O governo argumenta que as reformas são necessárias para evitar o colapso do sistema, que permite que muitos se aposentem aos 60 anos.
Após a “Terça-Feira Negra” da semana passada, que praticamente imobilizou o país, e com uma manifestação nacional convocada para o domingo e greves ferroviária e metroviária marcadas para os dias 2 e 3 de junho, o primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin está preocupado em evitar o destino do último governo conservador francês, que caiu em 1997, após semanas de protestos também contra planos para reforma a previdência.
As autoridades acusaram os opositores das reformas de difundir mentiras para aumentar o apoio e a adesão às manifestações.
“Nós vamos passar o tempo que for necessário para explicar, explicar, explicar”, afirmou o porta-voz do governo, Jean-Francois Cope.
Os professores temem que os planos de Raffarin de descentralizar o poder prejudiquem o sistema educacional e o nível de emprego ao passar às autoridades regionais a responsabilidade de contratar parte do pessoal das escolas.
A classe também acha que o governo poderá cortar postos de trabalho após o anúncio de que congelará os gastos em 2004.
Em face da possível paralisação do país, o secretário da Educação, Xavier Darcos, disse que o governo estaria disposto a abrir mão dos planos de descentralização.
“Se o governo concluir que o projeto deve ser modificado de alguma forma, isso será feito”, declarou à televisão France 2.
(Com informações da Reuters)




