26/05/2003 15h01 – Atualizado em 26/05/2003 15h01
Diplomatas estão finalizando os preparativos para uma reunião de cúpula sobre o Oriente Médio, que deve reunir os primeiros-ministros de Israel e da Autoridade Palestina e o presidente dos Estados Unidos.
O encontro deve discutir a implantação do novo plano de paz para a região, que foi proposto pelos americanos e foi aprovado neste domingo pelo gabinete de governo israelense.
Segundo o ministro do Exterior de Israel, Silvan Shalom, o encontro deve ocorrer na Jordânia no final da semana que vem.
No entanto, existiria ainda a possibilidade de que a reunião fosse realizada no Egito, com a participação de líderes de países árabes.
Desafios
O correspondente da BBC em Jerusalém, Jeremy Cook, disse que a expectativa é que Bush demonstre aos dois lados seu compromisso pessoal com o plano de paz e com a necessidade de se chegar a um progresso real logo nos estágios iniciais.
Mas ele acrescenta que, tanto para palestinos quanto para israelenses, há desafios a serem vencidos para que o plano tenha sucesso.
O primeiro-ministro palestino prometeu ser duro com militantes islâmicos e pôr um fim aos atentados suicidas contra alvos israelenses.
Do seu lado, o primeiro-ministro de Israel terá que retirar tropas de áreas palestinas e interromper a criação de novos assentamentos na Cisjordânia e da Faixa de Gaza.
Sharon alertou seu gabinete que a rejeição do plano – que já tinha sido aceito pelos palestinos – levaria a uma crise com os Estados Unidos.
Apesar disso, cerca de metade do gabinete israelense ou votou contra o plano ou se absteve. Alguns ministros estabeleceram condições para aceitá-lo – incluindo a exigência de que os palestinos dêem o primeiro passo para coibir a violência.
Antes da votação, o gabinete aprovou uma menção rejeitando a exigência palestina para que refugiados tivessem o direito de voltar às suas antigas casas em Israel – uma medida que as autoridades do país acreditam que destruiria demograficamente o Estado israelense.
Cautela
O ministro do Exterior palestino, Nabil Shaath, expressou um otimismo cauteloso em relação à aprovação pela primeira vez, por parte de Israel, de um plano que prevê a criação de um Estado palestino.
Mas ele disse que há preocupação sobre como o plano pode ser afetado pelas objeções israelenses, acrescentando que houve acordos preliminares com grupos militantes palestinos para um cessar-fogo de um ano com Israel.
O cessar-fogo entraria em vigor assim que os palestinos sentissem que Israel está comprometido seriamente com o plano de paz.
Seus comentários foram feitos no começo do segundo dia de um encontro, na ilha grega de Creta, entre ministros do Exterior da União Européia, de Israel e de países árabes.
Um porta-voz da União Européia disse que os ministros do bloco acham que o encontro, que terá pela primeira vez a presença do ministro do Exterior da Síria, seria produtivo.
A Síria vinha boicotando o encontro anual em protesto contra a participação de Israel.



