27/05/2003 08h34 – Atualizado em 27/05/2003 08h34
BRASÍLIA – Uma década depois de ter sido afastado do poder por denúncias de corrupção, o ex-presidente Fernando Collor de Mello está, mais uma vez, as voltas com problemas de ordem judicial. Collor está entre os 16 indiciados pela Polícia Federal por envolvimento com as irregularidades do Dossiê Cayman, um conjunto de papéis falsos que apontava o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outros três líderes do PSDB – José Serra, Sérgio Motta e Mário Covas – como donos da empresa C, H, J & T e de uma conta bancária de US$ 300 milhões nas Bahamas.
O inquérito, presidido pelos delegados Paulo de Tarso Teixeira e Jorge Pontes, acaba de ser concluído e será enviado, ainda esta semana, à Justiça Federal. Collor foi indiciado por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Se for condenado, o ex-presidente está sujeito a até 16 anos de prisão, pena máxima prevista para os dois crimes. Collor é acusado de pagar US$ 2,2 milhões pelo dossiê forjado por um grupo de brasileiros residentes em Miami.
Entre os indiciados estão também Leopoldo Collor, um dos irmãos do ex-presidente, o aposentado Raymundo Nonato Lopes Pinheiro, suposto testa-de-ferro da família Collor, o pastor Caio Fábio D’Araújo Filho, Honor Rodrigues da Silva e mais 11 pessoas que, de alguma forma, teriam ajudado a fazer, negociar ou difundir o dossiê, um das maiores tentativas de golpe da história política do país. As investigações estão praticamente encerradas desde o ano passado, mas só agora, depois de recolher cópias de documentos sobre a fraude, é que os delegados decidiram enviar o relatório do caso à Justiça.
No texto de 341 páginas, Collor é acusado de comprar de Honor Rodrigues da Silva, em agosto de 1998, o falso dossiê por US$ 2,2 milhões. O negócio foi, segundo a PF, intermediado por Leopoldo e pelo empresário Luiz Cláudio Ferraz, preso sábado em São Paulo. Honor está preso no México desde novembro. Segundo a PF, o dossiê falso foi pago com recursos mantidos pela Eagle Internacional nas Bahamas. A Eagle, que tem sede no Uruguai, está em nome de Raymundo Nonato Lopes Pinheiro, suposto testa-de-ferro dos irmãos Collor no negócio.



