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terça-feira, 23 de junho de 2026

Palocci diz que manterá política monetária e não abre mão do controle da inflação

01/06/2003 10h57 – Atualizado em 01/06/2003 10h57

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse que o governo vai continuar adotando a mesma política monetária porque não abre mão do controle da inflação. Ao desembarcar em Lausanne, para acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião do G-8, Palocci deixou claro que ainda não é possível reduzir a taxa de juros. O tema foi um dos principais assuntos no vôo que levou Lula até o local onde será realizado amanhã o encontro do G-8.

Palocci admitiu que a queda dos preços ao consumidor não está ocorrendo na velocidade que o governo esperava e que está havendo uma inércia inflacionária nos preços do varejo.

  • Vamos matar e esquartejar a inflação. Ou fazemos isso este ano, ou passamos os próximos quatro anos tentando fazer isso – disse o ministro.

Indagado sobre o que o governo pretende fazer para chegar ao “milagre do crescimento” prometido pelo presidente Lula, Palocci garantiu que o crescimento não se dará pelo afrouxamento da política monetária. Isto é, queda de juros com aumento de inflação. Ele disse que tem ouvido alternativas de redução de juros e controle de câmbio. Outras alternativas, segundo ele, apontam para aumentar o valor do dólar para beneficiar a inflação.

  • Se é assim, tô fora – disse Palocci, acrescentando que o país está no momento final de combate à inflação, mas não é possível dizer se isso se dará em um mês ou quinze dias, dando a entender que enquanto isso os juros do Banco Central continuarão altos.

Para o ministro, o Brasil poderia fazer uma alternativa diferente do que está fazendo em termos de política monetária. Uma delas, segundo ele, seria tolerar a inflação. Ele admitiu, no entanto, que essa opção de política econômica pode levar ao crescimento no curto prazo, mas ao “desastre” num segundo momento.

  • Ainda podemos ter inflação alta este ano. Eu acho muito perigoso optar por fazer inflação. O Copom vai continuar fazendo o necessário – disse o ministro, lembrando que a meta de inflação para este ano é de 8,5% mas, até o final de maio a inflação acumulada em doze meses estava em 12,13%.

    Apesar da forte pressão por mudancas na política econômica que o governo vem sofrendo nos últimos dias, o ministro da Fazenda demonstrou descontração durante a entrevista e afastou de sua frente uma tesoura deixada na sala por assessores do Itamaraty. Alegou que não queria ser associado a cortes.

-Não quero ser associado a uma tesoura – brincou o ministro.

Ele disse que apesar do superávit fiscal do governo estar acima de 6%, o resultado até o final do ano ficará ajustado à meta de 4,25% estabelecida pelo governo. Palocci explicou que normalmente no primeiro semestre, os gastos são menores e aumentam no segundo, em conseqüência do aumento de despesas como, por exemplo, o pagamento do 13º salário do funcionalismo público.

Fonte: Globo News

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