03/07/2003 10h26 – Atualizado em 03/07/2003 10h26
BRASÍLIA – Os sem-terra foram até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a disposição de negociar com o governo a reforma agrária, explicou o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Segundo ele, a questão da reforma do campo “dentro da lei” será tema do Executivo no segundo semestre e, para isso, o Planalto vai disponibilizar verbas.
- O governo vai mobilizar recursos para saneamento e habitação, para assentamento, assim como viabilizou para o plano de safra – disse ele, em entrevista ao “Bom dia Brasil”, da TV Globo, nesta quinta-feira.
Sobre a violência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Dirceu salientou que nada a justifica, mas minimizou a relevância dos saques promovidos pelo grupo, “apesar da gravidade” .
- Há uma situação de fome, mas nada justifica a violência. O governo fará cumprir a lei – considerou.
Para resolver esse quadro, ele comentou que o Executivo tem de tomar medidas ativas, como distribuir os cartões contra fome e fazer a reforma agrária.
O ministro se disse surpreso com a reação de muitos sobre o encontro com o MST ontem, já que o dirigente tem “recebido todos os setores da sociedade”. Também condenou a polêmica em torno do fato de Lula ter colocado na cabeça o boné do movimento.
- Lula é presidente de todos os brasileiros e é presidente também do MST – frisou.
Perguntado sobre quando o governo vai começar a implantar seu plano social, Dirceu considerou que a administração central já está caminhando para isso, citando os editais de leilões de linha de transmissão de energia e o plano de recuperação de estradas. Ele ressaltou que o governo busca parcerias com o setor privado para investir em infra-estrutura.
- Vamos viabilizar o crescimento, vamos baixar o risco Brasil, mas tudo a seu tempo – complementou.



