03/07/2003 16h32 – Atualizado em 03/07/2003 16h32
SÃO PAULO – O dólar comercial interrompeu hoje o ciclo de queda que vinha registrando desde a semana passada e fechou em alta de 0,28%, cotado a R$ 2,823 na compra e R$ 2,826 na venda. O pregão viva-voz da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em baixa de 1,09%. Os juros futuros recuaram e o risco Brasil teve alta acentuada.
JUROS FUTUROS – Os ânimos estão renovados no mercado de juros futuros. A deflação apurada em São Paulo pelo Índice de Preços aos Consumidor (IPC) da Fipe em julho trouxe otimismo aos negócios e todos os vencimentos fecharam em baixa. Nas mesas de operação, agentes observam que as apostas num novo corte dos juros básicos da economia ganham muito espaço.
No término do pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato de agosto apontava queda de 0,10 ponto percentual, com taxa de 25,28% ao ano. O vencimento para o mês de setembro fechou com recuo de 0,10 ponto, a 24,64% ao ano. Outubro fechou com desvalorização de 0,21 ponto, a 23,92%.
O vencimento de janeiro de 2004, o contrato mais líquido da BM&F, terminou 0,30 ponto mais baixo, com taxa de 22,53% ao ano. Para abril de 2004 houve queda de 0,28 ponto, projetando juros de 21,65% ao ano. Por fim, o vencimento de julho de 2004 perdeu 0,27 ponto percentual e encerrou a 21,27% anuais.
CÂMBIO – As medidas anunciadas ontem pelo Banco Central na área cambial contribuíram para quebrar a trajetória, mas ainda não foram suficientes para dar um impulso à moeda americana. O dólar encerrou mais uma vez hoje na menor cotação desde 12 de julho do ano passado, quando era vendido a R$ 2,810.
Na máxima do dia, a moeda americana atingiu R$ 2,846, com alta de 0,99% sobre o fechamento de ontem. A pressão ocorreu logo pela manhã, com os investidores digerindo as medidas anunciadas pelo BC. O Banco Central anunciou a redução do capital exigido dos bancos para operar no mercado cambial e a limitação a dois leilões, no máximo, para as operações de rolagem cambial. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles disse que a mudança foi técnica e document.write Chr(39)prudencialdocument.write Chr(39) e não tem relação com a atual taxa de câmbio, que está em patamar considerado baixo.
- Os investidores passaram o dia mastigando as alterações. As captações ainda são grandes e ninguém saiu comprando dólar só porque o BC anunciou novas medidas ontem. Tem gente que sequer entendeu as mudanças. Os bancos não devem dobrar a sua capacidade de compra de uma hora para outra. Isso vai ocorrer com o tempo. A prova de que ninguém saiu por aí comprando dólar é que a moeda não terminou muito pressionada – afirmou Shiguemi Fujisaki, analista da Corretora Socopa.
RECURSOS EXTERNOS – Três captações realizadas ontem influenciaram o câmbio hoje. Petrobras, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Banco do Brasil e Bradesco concluíram operações que somam US$ 1,143 bilhão. A Petrobras concluiu uma captação histórica no mercado internacional, de US$ 500 milhões, com prazo de 10 anos. O BB e o Bradesco também concluíram uma captação conjunta de US$ 500 milhões, com vencimento em oito anos. Por fim, a CSN captou US$ 143 milhões.
Para os investidores está claro que o BC quer diminuir o volume de dólar no mercado para forçar a cotação para cima e beneficiar as exportações e o projeto desenvolvimentista do governo. A expectativa é de que as novas medidas tirem um pouco o ânimo de compra dos vendedores. Até agora, para cada R$ 1 investido em dólar, os bancos precisavam ter R$ 1 de patrimônio. A partir de hoje, essa exigência cai para R$ 0,50 de patrimônio. Segundo do diretor de Normas do BC, Sergio Darcy, a medida deve liberar cerca R$ 3 bilhões para que os bancos possam fazer novas aplicações, inclusive na compra da moeda americana.
O Banco Central já vinha trabalhando para reduzir o volume de moeda no mercado. Além de intervenções indiretas por meio do Banco do Brasil, o BC diminuiu a rolagem de suas dívidas cambiais. Na última operação, em 1º de julho, foram rolados apenas 67,5% de uma dívida de US$ 2,4 bilhões. Para isso, a instituição fez três leilões. Agora, terá o limite de apenas duas. A expectativa é de que já no próximo vencimento, no dia 15 de julho, a rolagem fique em um percentual ainda menor.
RISCO – Os títulos brasileiros, que permanecem atrelados ao comportamento dos títulos do Tesouro nos Estados Unidos, fecharam com desvalorização. O C-Bond, principal título da dívida externa negociado no exterior, registrava queda de 1,47%, a 87,43% de seu valor de face. O Global 40, título de longo prazo (40 anos), estava com redução de 1,67%, a 90,90 centavos por dólar.
Com isso, o risco-país disparou 3,09%, para 799 pontos-base. O risco Brasil é calculado pelo J.P Morgan e mede a percepção do investidor estrangeiro na economia brasileira. Hoje, véspera do feriado da Independência, o mercado brasileiro de títulos trabalhou com pouca liquidez por causa do fechamento antecipado do mercado americano.
PARALELO – O dólar paralelo fechou estável em São Paulo, cotado a R$ 2,870 na compra e R$ 2,940 na venda. No Rio, o document.write Chr(39)blackdocument.write Chr(39) encerrou em alta de 1,75%, a R$ 2,750 na compra e R$ 2,900 na venda. O dólar turismo em São Paulo fechou em queda de 0,34%, a R$ 2,790 na compra e R$ 2,930 na venda.
BOVESPA – A Bolsa consolidou a trajetória de queda, acompanhando o mercado americano, que fechou mais cedo por causa do feriado prolongado da Independência nos Estados Unidos, comemorado nesta sexta-feira. O viva-voz da Bovespa fechou a 13.164 pontos e volume financeiro de R$ 395,4 milhões.
Ações mais negociadas: Telemar PN e Petrobras PN e ON.
Maiores quedas: Light ON (4,4%), Telemar ON (3,6%) e Cesp PN (3,3%).
Maiores altas: Braskem PNA (3,5%), VCP PN (2,5%) e Vale do Rio Doce ON (1,9%).
Nos Estados Unidos, as bolsas fecharam repercutindo negativamente o avanço do desemprego. A taxa subiu de 6,1% em maio para 6,4% em junho, a mais alta em 9 anos. Cerca de 30 mil americanos perderam o emprego no mês passado.




