03/07/2003 09h58 – Atualizado em 03/07/2003 09h58
SÃO PAULO – O dólar comercial, que abriu em forte alta de 0,92%, perdeu um pouco o ritmo por conta do fluxo positivo de recursos captados no exterior. Às 10h39m, a moeda americana subia 0,42%, cotada a R$ 2,825 na compra e R$ 2,830 na venda. A alta se deve às medidas adotadas ontem à noite pelo Banco Central (BC). A instituição anunciou a redução do capital exigido dos bancos para operar no mercado cambial e a limitação a dois leilões, no máximo, para as operações de rolagem cambial.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) iniciou o pregão praticamente estável, com queda de 0,02%. O Ibovespa marcava 13.307 pontos.
Para o analista de um banco estrangeiro, o BC está apenas voltando à posição anterior, de um cenário de expectativas ruins no ano passado. No ano passado, o BC aumentou as exigências para as instituições financeiras aplicarem em câmbio, com o objetivo de tornar a especulação mais difícil. Na época, a procura por dólar era muito grande por conta da instabilidade política e da possibilidade de um governo de esquerda assumir o poder.
O analista, no entanto, não descarta também a possibilidade de o BC estar querendo inverter a tendência de queda do dólar. Ontem à noite, o diretor de Normas do BC, Sergio Darcy, disse que apesar de ter mudado a exigência para a exposição ao risco cambial das instituições financeiras, o BC manteve em
30% o limite máximo de patrimônio dos bancos que pode ser investido neste tipo de aplicação.
Ele afirmou ainda que não acredita que as instituições devam investir em dólar com esses recursos a mais que estão sendo liberados. Isso porque, segundo o diretor, elas estão operando hoje com apenas 20% de seu patrimônio neste tipo de aplicação.
Três captações realizadas ontem deverão influenciar o câmbio hoje. Petrobras, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e VisaNet (Bradesco com Banco do Brasil) concluíram operações que somam US$ 1,143 bilhão.
Segundo o Valor Online, a Petrobras captou US$ 500 milhões, por meio da subsidiária Petrobras International Finance Company (PIFCo), em Global Bonds de 10 anos. O Bradesco e o Banco do Brasil concluíram a captação de perfil financeiro mais longo do ano. Por meio da VisaNet, empresa de infra-estrutura financeira que tem os bancos como sócios, as duas instituições concluíram operação de US$ 500 milhões em bônus securitizados com vencimento em oito anos.
Os recursos destinados ao Bradesco não deverão entrar no Brasil. Conforme o departamento de imprensa do banco, os valores devem ser usados em operações de trading no exterior. A CSN também confirmou que captou US$ 143 milhões por meio da emissão de bônus garantidos por recebíveis de exportações.
O mercado repercutirá também hoje a queda de mais um índice de inflação. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), registrou deflação de 0,16% em junho. Foi a maior queda desde fevereiro de 2000. Na terceira prévia de junho, o índice registrou alta de 0,09%. Em maio, a inflação apurada pela Fipe foi de 0,31%.



