12/07/2003 10h45 – Atualizado em 12/07/2003 10h45
LISBOA – Um dia depois de ter afirmado que o movimento sindical brasileiro precisa dar uma “avançada histórica”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou neste sábado com representantes do movimento sindical de Portugal. Lula também recebeu representantes do Núcleo do PT em Lisboa e representantes da comunidade brasileira. Em clima de festa total, Lula foi cercado na saída do luxuoso Hotel Ritz por cerca de 50 brasileiros, que carregavam bandeiras e pandeiros e gritavam palavras de ordem.
- Lula, cadê você? Eu vim aqui só para te ver! – diziam os brasileiros que ficaram fora da audiência à comunidade brasileira.
Já no encontro com a União Geral dos Trabalhadores (UGT) – ligada ao Partido Socialista do presidente português Jorge Sampaio -, Lula foi indagado sobre a posição do Brasil em relação à criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas). Os sindicalistas quiseram saber se era verdadeira a informação de que o Brasil vai cumprir o cronograma da Alca, prevista para entrar em vigor em janeiro de 2005. Lula firmou o acordo num encontro com o presidente dos EUA, George W. Bush, no dia 20 de junho, em Washington. Aos sindicalistas, Lula disse que o Mercosul continua sendo o bloco mais importante para o Brasil.
- Vamos continuar acompanhando a posição do Brasil sobre a Alca. O sucesso do presidente Lula é vital para o sucesso do movimento sindical no mundo – disse o secretário-geral da UGT, João Proença.
Indagado sobre as reações do movimento sindical brasileiro à reforma da Previdência, Proença disse que é normal que haja divergências entre governos e trabalhadores, mesmo quando o governo é de esquerda como o de Lula.
Proença também considerou natural que Lula participe a partir de hoje, em Londres, do encontro da Governança Progressiva, a chamada Terceira Via. Curiosamente, esse movimento sempre foi ligado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
- Mas o presidente Lula está à esquerda da Terceira Via, que é um movimento social-democrata de direita – disse o sindicalista.
Já o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), Manoel Carvalho da Silva, disse que a entidade já participou de um encontro da CUT. Ele disse que não conversou com Lula sobre problemas internos do Brasil. Mas, perguntado sobre a reforma da Previdência, Carvalho da Silva disse que as mudanças no Brasil significarão progresso.
- Na Europa, há a harmonização do retrocesso em nome de uma falsa solidariedade. No Brasil, é a harmonização do progresso – disse Carvalho da Silva.




