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quinta-feira, 2 de julho de 2026

BATAGUASSU:Potencial turístico é ignorado pela prefeitura

23/07/2003 19h36 – Atualizado em 23/07/2003 19h36

Eventos de importância turística, como a Cavalgada da Tropa Guassu, já na oitava edição e preparando a nona para dezembro, não são levados em consideração pela administração municipal do prefeito Ailton Pinheiro Ferreira (PTB), o conhecido “Cuiabano”. Prova disso foi a ausência do prefeito e de seu secretário de Turismo no dia da saída da tropa. Além disso, a prefeitura sequer se responsabilizou na divulgação do evento e não oferecendo nenhuma estrutura ao evento.

Por sua vez, dando importância ao evento, o prefeito de Anaurilândia, Edson Takazono, além de recuperar os trechos de estradas rurais pelas quais a cavalgada passou, dentro do seu município, ainda cedeu um ônibus para dar todo o apoio aos participantes.

É inegável que a Cavalgada da Tropa Guassu já ocupa lugar de destaque no Calendário de Eventos Costa Leste, tornado oficial, organizado e publicado pelo Sebrae/MS e pela Unipar -Associação dos Municípios do Alto Paraná.

O sucesso do evento já chegou ao estado de São Paulo a ponto de atrair a atenção de dois empresários de renome, como Luiz Fernando Rodovalho e João Antônio Barsante, que patrocinaram a festa de encerramento com chope à vontade e até equipe de churrasqueiros, vinda da cidade de Valinhos (SP), além de mandar confeccionar um painel em PVC de 50 metros quadrados.

Resgate da história e da tradição

Toda a região de Bataguassu foi descoberta e desbravada, graças às tropas boiadeiras, que foram formando estradas e caminhos de acesso para a remoção e comercialização de gado.

A Cavalgada Tropa Guassu tem o objetivo de resgatar a tradição histórica dessa gente, formadora das raízes do povo local. Já nessa época, muitas famílias tiravam grande parte do seu sustento, graças às tropas boiadeiras.

Ao mesmo tempo em que resgata as raízes históricas e culturais de um povo, a Cavalgada é instrumento e oportunidade de incrementar e incentivar a proposta de projetos de turismo rural na região, aproveitando propriedades rurais, estrategicamente localizadas à beira dessas estradas boiadeiras, por onde ainda hoje passa a Cavalgada, num percurso de 80 km.

Até agora, a Prefeitura de Bataguassu não tem dado importância ao evento, chegando até a mostrar desconhecê-lo. O apoio tem vindo apenas da iniciativa privada, de pecuaristas, empresários e do Sindicato Rural.

Mas a falta de visão para o potencial turístico da região de Bataguassu não está somente no fato da Cavalgada Tropa Guassu. Existem outros fatos que merecem ser levados em conta e que deveriam despertar interesse do Poder Municipal, como importantes e ricos fatores de desenvolvimento turístico do município. Ao que parece, somente o prefeito Ailton e sua equipe de trabalho não conseguem enxergar tal potencial.

Toca do Peixe

Mesmo sendo um empreendimento da iniciativa privada, a Toca do Peixe mereceria maior atenção por parte da Prefeitura de Bataguassu. Ao mesmo tempo em que é um excelente e estruturado complexo turístico e área de lazer, oferece frentes de trabalho e geração de divisas para o município.

Tendo a disposição cerca de 50 plataformas de pesca, a Toca do Peixe é visitada por turistas de todas as regiões do Brasil e até do Exterior, como Israel, Irã e Estados Unidos. No período de Carnaval, quando é mais visitado e coincide com a época das chuvas de verão, a estrada de acesso, de aproximadamente 3 km, torna-se intransitável, além da presença insuportável de um lixão no início da estrada. Nesse caso, a prefeitura fica omissa.

Um outro local, também de importância do potencial turístico é o Pesquerio do Kim, nas proximidades da MS 395, no trecho entre Bataguassu e Anaurilândia. Novamente o problema é o mesmo da Toca do Peixe: o desleixo da Prefeitura em não cuidar das estradas municipais, principalmente das estradas que dão acesso a pontos de importância turística.

Portal de Entrada

A cidade de Bataguassu, para quem vem do estado de São Paulo, é considerada o Portal de Entrada no Estado de Mato Grosso do Sul. Ao que parece, o único que não enxerga esta riqueza turística a ser explorada é o prefeito da cidade.

A primeira impressão negativa aparece aos visitantes ao chegarem em Porto XV de Novembro e na Reta A-1. Famílias inteiras de artesãos expõem seus trabalhos à beira da pista, em simples barracas que eles mesmos montaram, arriscando suas vidas e também a segurança dos motoristas.

Há tempos eles reivindicam locais adequados para exporem e comercializarem seus produtos, em quiosques próprios, mas o pedido foi ignorado por completo pelas autoridades do Município. Para todos eles que ali estão o artesanato, por sinal de muito bom gosto, é a única fonte de renda para sustento de suas famílias.

Um outro exemplo é a situação de abandono em que se encontra a praça Jan Antonin Batta, fundador da cidade, localizada em frente à igreja São João Batista. Barracas de lanches, instaladas ali de forma desorganizada e sem critérios, prejudicaram todo o visual urbano da praça. Para completar, a falta de ordem e de disciplina estão transformando o local em centro de baderna e de barulho, provocando descontentamento entre os moradores.

Um outro exemplo do descaso da administração pública está o acesso ao terminal Portuário, ainda não inaugurado. Se não cabe à Prefeitura a responsabilidade da obra de acesso, caberia ao prefeito mobilizar-se para viabilizar esta obra, junto aos órgãos competentes. Mas nada disso está sendo feito.

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