23/07/2003 14h11 – Atualizado em 23/07/2003 14h11
SÃO PAULO – A divulgação do corte de 1,5 ponto percentual na taxa Selic fez a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) inverter a tendência de alta com que vinha operando no período da manhã. Já o dólar comercial teve reduzida a pressão de compra, voltando a oscilar perto da estabilidade. Na BM&F, todos os vencimentos dos juros futuros sobem, em movimento de ajuste à nova taxa básica.
A queda da Selic (agora de 24,5% ao ano) ficou dentro da maioria das expectativas do mercado, mas foi considerada conservadora. Às 14h20m, o Índice Bovespa caía 0,37%, aos 13.783 pontos. O dólar subia apenas 0,03%, cotado a R$ 2,882 na compra e R$ 2,884 na venda.
Novos dados sobre desemprego e deflação estavam reforçando especulações em torno de uma queda da Selic em dois pontos percentuais. Os mais entusiasmados chegaram a defender uma queda de três pontos. Na maioria das opiniões do mercado, haveria espaço para um corte mais ousado. A redução da Selic em 1,5 ponto deve gerar uma economia de aproximadamente R$ 6 bilhões no pagamento de juros da dívida pública. Já os efeitos sobre o aquecimento econômico são considerados ínfimos. Por conta disso, o dólar reduz a pressão.
Pela manhã, a Bovespa chegou a subir 0,77% pela manhã, animada pela possibilidade de queda agressiva dos juros. Segundo investidores, a queda das ações nesta tarde também pode ser considerada uma realização de lucros, já que o mercado acionário tem por costume antecipar as definições da economia. Apesar de ser considerado conservador, o corte confirmou as previsões.
A ação preferencial da Telemar, que já operava em baixa pela manhã, agora amplia a queda para 1,28%. Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, as maiores altas são de Cemig PN (+2,3%) e Eletropaulo PN (+1,5%). Já as maiores quedas são de Embratel Participações PN (-3%) e Telemar ON (-2,9%).
JUROS FUTUROS – O corte na Selic leva os investidores a promover ajustes em suas posições futuras na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Todas as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) operam em alta. Pela manhã, o contrato com vencimento em 1º de agosto chegou a projetar taxa de 23,90% ao ano, indicando aposta numa queda da Selic superior a dois pontos. Com a confirmação do corte mais conservador, esse vencimento agora mostra taxa anual de 24,31%.
O DI de setembro projeta taxa de 23,85% para agosto, o que mostra aposta em nova queda de juros no mês que vem. Já o vencimento de abril de 2004, o mais negociado na BM&F, sobe 1,25%, para 20,97% ao ano. Os ajustes também são observados no contrato de swap de títulos pré e pós-fixados de 360 dias, que aponta taxa de 20,30%, contra 20,15% do fechamento de ontem.
Fonte: Globo News




