24/07/2003 16h33 – Atualizado em 24/07/2003 16h33
SÃO PAULO – A Volkswagen deu nesta quinta-feira um recado para os sindicatos dos metalúrgicos do ABC e de Taubaté: ou os funcionários aceitam o convite da empresa para integrar novos negócios a serem gerados pela Autovisão Brasil ou, ao término do acordo que garante a eles estabilidade no emprego, serão demitidos. Em reunião realizada com os presidentes das duas entidades, a direção da Volks disse que manterá o acordo de estabilidade no emprego, válido até fevereiro de 2004 para os trabalhadores de Taubaté e até novembro de 2006 para os empregados de São Bernardo do Campo.
Na última segunda-feira, ao anunciar a criação da Autovisão, a Volkswagen deu a entender que 3.933 funcionários das fábricas da Volkswagen em Taubaté e em São Bernardo do Campo seriam transferidos compulsoriamente para a nova empresa ou seriam demitidos. Os sindicalistas levantaram a bandeira de quebra de acordo, ameaçaram com greve e ocupação das fábricas. A montadora, agora, quer ser entendida de outra forma. Explicou que a Autovisão funcionará como uma espécie de incubadora de novos negócios e não será a empregadora dos “excedentes”. Ao identificar uma nova ocupação, ela repassará o convite ao trabalhador, que poderá aceitar ou não. Na prática, se ele não aceitar, saberá de antemão que está na lista de excedentes a serem demitidos no final do acordo.
Os convites poderão ser ainda para que o funcionário se transfira de fábrica. De São Bernardo do Campo para São José dos Pinhais, no Paraná, por exemplo. Se aceitar, ele concordará também em reduzir o salário. Segundo estudo do Dieese, divulgado na quarta-feira, o salário pago no Paraná corresponde a 47,7% do salário pago pela montadora para o metalúrgico de São Bernardo do Campo. O salário pago na fábrica da Volks de São Carlos corresponde a 41,4% do valor pago no ABC paulista.
Preocupada com a reação inicial dos metalúrgicos, a Volkswagen abriu negociações com os sindicatos, mas ressaltou que, se não houver a colaboração, o Brasil pode ficar sem o investimento anunciado de R$ 300 milhões para a criação da nova companhia. A montadora também deu um prazo para o final das negociações: a primeira quinzena de agosto.
- Buscamos uma flexibilidade dos sindicatos, para aceitar a saída inovadora que estamos propondo – afirmou o vice-presidente de RH da montadora, João Rached.
Na próxima quarta-feira sindicato Foi marcado um novo encontro para a próxima quarta-feira, em Taubaté.
Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijoó, o trabalhador só vai se transferir se quiser, pois o acordo garante seu emprego na montadora. Perguntado se o acerto desta quinta-feira poderia apenas estar adiando uma eventual redução de quadros na Volks para depois de vencido o prazo de estabilidade, Feijoó disse que não se pode eternizar “a crise que está ocorrendo hoje no setor automotivo”.
Fonte: Globo News



