26/07/2003 09h04 – Atualizado em 26/07/2003 09h04
PORTO ALEGRE – O Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul vai analisar a fita com a gravação das declarações feitas na quarta-feira pelo líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, em Canguçu, na região sul do estado. Segundo o subprocurador-geral de Justiça, Antônio Carlos de Avelar Bastos, a gravação será analisada na próxima semana para verificar se Stédile incitou ou fez apologia do crime. Em caso positivo, o líder sem-terra será denunciado e processado.
A Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul, que defende os interesses dos ruralistas gaúchos, apresentou uma queixa-crime contra Stédile pedindo a prisão preventiva do sem-terra.
- É uma provocação, qualquer fagulha pode desencadear um momento muito desagradável para o Rio Grande e para o Brasil – disse o presidente da federação, Carlos Sperotto.
Na gravação encaminhada ao MP gaúcho, Stédile diz que os sem-terra são um exército que “abriga hoje 23 milhões de pessoas”. O líder do MST prossegue: “Do outro lado há 27 mil fazendeiros. Será que mil perdem para um? É muito difícil. O que nos falta é nos unirmos, para cada mil pegar um”.
Stédile nega que tenha feito a afirmação (não registrada pelos gravadores) atribuída a ele em seu discurso contra os fazendeiros. “Não vamos dormir até acabarmos com eles”, teria dito.
- Foi uma manipulação grosseira de um jornalista, que deturpou 40 minutos de palestra – defendeu-se o líder sem-terra.
Mais tarde, ele explicou:
- O sentido das minhas palavras não era estimular o conflito ou o confronto. Era para compreenderem que em nossa sociedade há uma grande desigualdade e que é preciso que pobres tenham direito a trabalhar na terra.
Fonte: O Globo




