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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Vencimento de dívida privada poderia pressionar dólar até dezembro

26/07/2003 11h15 – Atualizado em 26/07/2003 11h15

SÃO PAULO – As dívidas do setor privado que vão vencer entre agosto e dezembro de 2003 somam aproximadamente R$ 6 bilhões, volume 46% maior que o dos sete primeiros meses do ano. Segundo estimativas da consultoria Global Invest, o ritmo das captações externas deve seguir trajetória contrária no mesmo período, registrando valores menores. Com expectativa de menor oferta de dólares e maior volume de dívidas, o dólar pode sofrer pressões. Na estimativa da consultoria, o dólar deve chegar ao final do ano cotado a R$ 3,40, em parte por conta de uma redução no ritmo das captações.

  • As captações externas superaram as dívidas do setor privado com folga nos últimos meses, mas a tendência é de as empresas perderem fôlego. Isso porque a economia do país não está crescendo e as empresas não investem – disse Paulo Cintra Castilho, analista de renda fixa e títulos externos da Global Invest.

Em julho, as captações superam os US$ 2,3 bilhões, bem acima das dívidas de US$ 698 milhões que venceram no período. No acumulado do ano, as captações superam os vencimentos em US$ 8,2 bilhões. Essa diferença entre entradas e saídas foi fundamental para garantir a valorização do real frente ao dólar neste ano. Segundo Castilho, no entanto, as captações não vão incentivar a queda do dólar nos próximos meses.

Entre agosto e dezembro, a maior concentração de vencimentos está no último mês do ano, quando vencem US$ 2,7 bilhões. O total é maior que o captado em julho, mês de maior volume de captações até agora. Além de o volume de vencimentos mais pesado, o mês de dezembro pode contar com uma piora sazonal nos resultados da balança comercial, devido à proximidade das festas de fim de ano.

  • Não interessa mesmo ao governo que o dólar volte a cair, para não comprometer a competitividade do comércio exterior. Mas é importante que as cotações oscilem o mínimo possível. O grande problema do dólar é a volatilidade, que gera inflação. Quando o dólar sobe, os preços também se ajustam para cima. Mas quando o dólar cai, a queda dos preços nunca segue na mesma proporção – afirma.

Em agosto, o setor privado precisa honrar US$ 942 milhões em obrigações no exterior. Esse número recua para US$ 411 milhões em setembro, mas dá um salto de US$ 1,121 bilhão em outubro. Isso indica que a necessidade de financiamento das empresas vai aumentar significativamente. Mantida a média mensal das captações deste ano (US$ 1,7 bilhão), as sobras de dinheiro serão cada vez menores até dezembro.

Fonte: GloboNews.com

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