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domingo, 5 de julho de 2026

Gigantes mundiais do petróleo faturam alto após guerra do Iraque

14/08/2003 08h21 – Atualizado em 14/08/2003 08h21

RIO – As gigantes internacionais da indústria do petróleo registraram lucros extraordinários nos meses que se seguiram à queda do regime de Saddam Hussein, em 9 de abril. Os resultados do segundo trimestre (abril, maio, junho) mostram que as empresas de Estados Unidos e Grã-Bretanha foram as que tiveram maiores variações em seus ganhos, que chegaram a aumentar 293%. A alta da cotação do petróleo desde a queda de Bagdá, em torno de 20%, foi o principal motivo para ganhos tão expressivos. A Petrobras também foi beneficiada. A maior estatal brasileira deve anunciar nesta quinta-feira um novo recorde histórico em seu lucro trimestral, que pode ficar na casa de R$ 6 bilhões.

A americana Exxon Mobil, maior petrolífera mundial de capital aberto, aumentou seu lucro em 58% no segundo trimestre, por causa da alta nos preços do petróleo e da melhora no desempenho de suas operações de refinaria. O lucro líquido subiu para US$ 4,17 bilhões, contra US$ 2,64 bilhões do mesmo período do ano passado. Segundo comunicado da empresa, cuja sede fica em Irving, Texas – estado do presidente George W. Bush – a receita cresceu 12%, passando de US$ 50,8 bilhões para US$ 57,16 bilhões. As altas nos preços do petróleo e gás natural impulsionaram os lucros com as operações de produção da empresa em 27%, para US$ 2,84 bilhões. O aumento nas vendas de combustíveis contribuiu para elevar os lucros da unidade de refinaria em 50%.

A British Petroleum, segunda maior petrolífera européia, anunciou aumento de 42% no lucro do segundo trimestre (de US$ 2,2 bilhões para US$ 3,12 bilhões. Já a anglo-holandesa Shell, maior da Europa, informou que o lucro do segundo trimestre aumentou 28%: passou de US$ 2,21 bilhões no mesmo período do ano anterior para US$ 2,83 bilhões, o que equivale a cerca de US$ 31 milhões por dia.

Mas o maior aumento percentual de ganho foi da americana ChevronTexaco. A segunda maior petrolífera dos EUA anunciou que o lucro do segundo trimestre quadruplicou: subiu para US$ 1,6 bilhão, contra US$ 407 milhões obtidos no mesmo período do ano passado (+293%). A receita subiu de US$ 25,33 bilhões para US$ 29,36 bilhões. Segundo a empresa, o lucro com a produção de gás natural e petróleo subiu 2,9%, para US$ 1,28 bilhão, uma vez que alta das cotações compensou o declínio de 4% na produção.

Na Petrobras, o lucro registrado nos últimos meses não ficará atrás do das gigantes americanas e européias. Nos primeiros três meses do ano, a estatal já havia batido recorde em seus ganhos: R$ 5,54 bilhões. A manutenção dos preços dos combustíveis em níveis elevados e a queda do dólar entre abril e junho beneficiaram a estatal. O resultado do segundo trimestre, que será anunciado nesta quinta, no fim do dia, deverá ficar na casa de R$ 6 bilhões (US$ 2 bilhões), segundo analistas do mercado.

  • O resultado da Petrobras no trimestre encerrado em junho deve, sim, ser recorde. Além de estar aumentando sua produção, a estatal ganhou com a alta do petróleo no mercado internacional – avalia Marcelo Mesquita, do UBS Warburg, que acredita em queda nos preços do barril nos próximos meses.

  • O segundo trimestre, assim como o primeiro, foi atípico. A tendência é de que os preços do barril não se mantenham em torno dos US$ 30. Com isso, a Petrobras não deve repetir esse resultado nos próximos trimestres – completou Mesquita, acrescentando que, apesar do recuo previsto para o segundo semestre, no acumulado a estatal deverá fechar 2003 com o maior lucro de sua história.

Gilberto Pereira de Souza, analista de petróleo da Itaú Corretora, vai na mesma linha.

  • O resultado do segundo trimestre tem tudo para ser melhor que o do primeiro. A Petrobras aproveitou integralmente a alta do petróleo no primeiro semestre, ao contrário do que aconteceu no ano passado, quando o dólar se valorizou muito e prejudicou seus resultados.

Fonte: Globo News

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