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domingo, 5 de julho de 2026

Bactéria sobrevive a 130 graus Celsius

15/08/2003 09h27 – Atualizado em 15/08/2003 09h27

WASHINGTON – Um micróbio que se multiplica em água fervente e “respira” ferro lançou por terra os limites em que os cientistas acreditavam que a vida fosse possível. A bactéria vive naturalmente no ambiente inóspito em torno de chaminés vulcânicas submarinas, onde não há luz, a pressão é tal que esmagaria qualquer coisa que vive sobre a terra e a água é repleta de substâncias tóxicas. Já se sabia que há micróbios nesses ambientes, mas, levada para um laboratório, a bactéria sobreviveu a duas horas sob 130 graus Celsius e, “refrescada” novamente até os 103º graus, voltou a reproduzir-se como se nada tivesse acontecido.

A descoberta tem lado sombrio: o procedimento padrão de esterilização em clínicas e hospitais requer que os objetos passem algumas horas sob 121 graus Celsius, em autoclaves pressurizadas. Para a bactéria, conhecida apenas pelo nome Cepa 121, 24 horas sob 121 graus em uma autoclave parecem um dia no parque. O número de bactérias na amostra duplicou no período.

A pesquisa foi realizada no Departamento de Microbiologia da Universidade de Massachusetts em Amherst, nos EUA e publicada na edição desta semana da revista “Science”.

A descoberta sugere que a vida possa existir em planetas muito diferentes da Terra. Também mostra que a vida nem sempre evolui como a biologia ensina: em águas mornas banhadas pela luz solar na superfície da Terra.

Os pesquisadores Kazem Kashefi e Derek Lovley testaram amostras de água coletadas a 320 quilômetros da costa e dois quilômetros de profundidade, no Oceano Pacífico. As amostras foram recolhidas por pesquisadores da Universidade de Washington que procuravam micróbios semelhantes às bactérias, que vivem em ambientes extremos. A área que exploraram é tão remota que apenas submarinos operados remotamente podem chegar lá. Conhecida como Cadeia de Juan de Fuca, a cadeia submarina é marcada por colunas de “fumaça” negra que se erguem pela altura de um prédio de quatro andares.

Já havia sido encontrada vida na fumaça negra, equilibrando-se entre as águas geladas e ferventes e freqüentemente usando o enxofre como combustível. Outro micróbio achado nesses ambientes, o Pyrolobus fumarii, suporta 113 graus Celsius. Mas, na pesquisa, quando amostras foram sujeitas a 121 graus em uma autoclave, apenas 1% dos P. fumarii estava intacto após uma hora. “E não havia indícios de que as células restantes eram viáveis”, contaram os pesquisadores na “Science”.

O novo micróbio, além de suportar temperaturas mais altas, não usa oxigênio ou enxofre para respirar. Em vez disso, usa o ferro para obter energia dos alimentos – um papel desempenhado pelo oxigênio na maioria das espécies conhecidas.

“É uma nova forma de respiração”, disse Lovley em um comunicado.

Fonte: GloboNews

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