02/09/2003 11h31 – Atualizado em 02/09/2003 11h31
O escritor Moacyr Scliar esteve na última sexta à noite no Café Literário, na 22ª feira do Livro de Brasília, que se encerra hoje no Shopping Pátio Brasil. Recém indicado para a Academia Brasileira de Letras, Moacyr falou sobre seu último livro e sobre como começou a escrever.
A história de “A Mulher que Escreveu a Bíblia” nasceu de um artigo que Moacyr leu. Dizia que o Antigo Testamento, ou pelo menos parte dele, foi escrito por uma mulher da época do Rei Salomão, que tinha cerca de 700 esposas e 300 concubinas. Ele criou então uma personagem que seria a esposa número 701. Para compensar o fato de ser feia, ela aprendeu a ler e a escrever e, por isso, foi encarregada pelo rei de escrever as história dos hebreus, ou seja, a Bíblia. Quanto ao fato de as pessoas reclamarem de ela ser feia, o autor simplemente responde que, caso isso não acontecesse, não haveria história.
O escritor não é religioso, mas sublinha a importância do livro sagrado para a humanidade e ressalta que o povo judeu não deixou um grande império ou um legado científico, mas escreveu um livro que mudou a história da humanidade. Além disso, destaca que a Bíblia é uma lição de literatura para qualquer escritor contemporâneo pela sua concisão e pela valorização da palavra escrita para contar a história de um povo.
“Os livros são uma vacina contra a ignorância”, brincou o autor. E, de vacinas, ele entende bem, já que é formado em medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Chegou a exercer a profissão no setor de saúde pública, onde aprendeu bastante sobre a sociedade brasileira, mas descobriu que existia outra maneira de ajudar a população, por meio da literatura. Ele lançou seu primeiro livro, “Histórias de Médicos em Formação”, em 1962. Segundo o autor, a publicação foi um sucesso de vendas por causa de dois fatores: havia poucos exemplares, e seus pais obrigaram todos os vizinhos e conhecidos a comprarem o livro.



