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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Testemunhas dizem que mães incentivaram filhas em Porto Ferreira

10/09/2003 14h25 – Atualizado em 10/09/2003 14h25

SÃO PAULO – Testemunhas do caso de exploração sexual de meninas em Porto Ferreira, no interior de São Paulo, denunciaram que pelo menos duas mães incentivaram as filhas a participar das festas com empresários e políticos da cidade. Nesta terça-feira, o garçom e suplente de vereador, Valter Mafra, voltou a depor. Ele foi ouvido pelo promotor e pelo delegado, em depoimento sigiloso.

Em entrevista, o promotor Cássio Conserino disse que Mafra acrescentou alguns detalhes que serão investigados. Cássio, no entanto, não revelou quais são as novas informações. No depoimento prestado em Brasília, na semana passada, o garçom disse que as próprias meninas ligavam para ele pedindo para participar das festas.

Um pai que concedeu entrevista nesta terça-feira à EPTV, afiliada da TV Globo, disse que há dois anos procurou a Justiça, após ficar desconfiado que a filha se prostituía com o conhecimento da ex-mulher dele.

O pai, que não quis ser identificado, falou que a menina levava dinheiro para casa, comprava mantimentos, e, quando decidiu parar de participar das festas, a mãe teria achado ruim. Na época, o pai decidiu pedir a guarda da adolescente, mas o caso foi arquivado quando ela completou 18 anos. O homem afirma que duas enteadas dele estão entre as menores que participaram de festas com vereadores e empresários de Porto Ferreira.

O homem escreveu uma carta à senadora Patrícia Saboya, presidente a Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPMI) da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, descrevendo a denúncia que fez há dois anos.

Além desta evidência, uma outra chama a atenção da polícia. Uma mulher citada no depoimento de Valter Mafra, em Brasília, confirmou que pelo menos uma mãe sabia e incentivava a filha a participar das festas. Em entrevista, a mulher, que também prefere não se identificar, disse que viu mãe e filha discutindo por causa de dinheiro. Ela disse também que a mãe ficava na porta e via a menina entrar no carro para ir às festas.

O promotor Cássio Roberto Conserino afirma que até o momento não há nada que confirme as denúncias, mas isso não impede que o fato venha a ser investigado em um novo inquérito policial.

Fonte:Bom Dia São Paulo

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