19/09/2003 14h44 – Atualizado em 19/09/2003 14h44
O clima ficou tenso no início da noite de ontem na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no bairro dos Aflitos, no Recife. Segundo a Folha de Pernambuco, cerca de 200 trabalhadores ligados ao Movimento de Terra Trabalho e Liberdade (MTL) mantiveram reféns cerca de 25 funcionários do órgão, inclusive, o superintendente regional do Incra, João Farias.
Por volta das 18h, os portões da entidade foram fechados com cadeados e pedaços de arame, ninguém podia entrar ou sair. Apenas a imprensa teve acesso local. No entanto, exatamente às 21h50 de ontem, as grades foram abertas e os servidores do Incra foram liberados.
O movimento pretende fechar o órgão na próxima semana, por tempo indeterminado, caso suas reivindicações não sejam atendidas. Entre os pontos exigidos pelo movimento estão assistência técnica nos 24 assentamentos do MTL espalhados no Estado, vistorias em cerca de 100 áreas, liberação de créditos agrícolas para novos assentamentos e fornecimento de cestas básicas às famílias, entre outros.
Uma hora antes de fecharem o Incra, uma comissão formada por 20 integrantes do MTL se reuniu com o superintendente do Incra, João Farias. Porém, antes que o primeiro ponto da pauta fosse discutido, a comissão se retirou da sala.
O coordenador nacional do MTL no Estado, Renato Carvalho, criticou a postura do superintendente do órgão. Ele disse que os trabalhadores não estão sendo respeitados. “Desde abril deste no, reivindicamos nossa pauta, porém, até hoje, nenhum item foi atendido. Esse superintendente está sendo intransigente com o movimento, não vamos aceitar isso”, disparou o coordenador.
O superintendente do Incra, João Farias, desmentiu a falta de vistorias. Segundo ele, 18 áreas do MTL já foram vistoriadas. Ele informou ainda que há 15 dias, foi enviado um caminhão com cerca de mil cestas básicas para o assentamento Suassuna do MTL, em Moreno, porém, os próprios integrantes saquearam o caminhão. A coordenação do MTL negou a existência do saque.
João Farias se mostrou aberto o tempo todo à negociação. “No início da reunião havia colocado para comissão que existia uma verba de R$ 900 mil para contratação de 52 equipes de assistência técnica. Uma dessas equipes iria atender 50% das famílias, porém, eles se negaram a negociar. Compreendo as reivindicações deles, o que puder ser feito, será. No entanto, não pode ser à força”, colocou Farias.
Fonte:Agora MS




