19/09/2003 17h12 – Atualizado em 19/09/2003 17h12
Com seus aromas de baunilha, avelã ou cânfora, o vinho em tonel mais velho do mundo, um vinho branco da Alsácia safra 1472, envelhece há mais de 500 anos na adega dos hospícios civis de Estrasburgo no leste da França.
Depois de 531 anos em seu tonel, “é extraordinário que continue sendo vinho”, comenta Philippe Junger, responsável pela adega histórica aberta amanhã e domingo por ocasião dos Dias do Patrimônio.
“O document.write Chr(39)velhodocument.write Chr(39) conservou um admirável verdor e um faro poderoso, muito fino”, concluiu, em 1994, um teste da DGCCRF (Direção Geral da Concorrência, do Consumo e da Repressão das Fraudes), com o apoio de análises químicas.
Este vinho branco, que tem hoje a cor âmbar do carvalho, com um teor seco (conjunto das matérias sólidas constitutivas de um vinho) particularmente elevado que garante aliás a persistência do vinho de origem, precisa Junger.
“Cerca de 1% de seu volume se evapora a cada ano, é a parte dos anjos. Acrescenta-se portanto uma garrafa de um vinho seco a cada trimestre. Mas neste tonel há pelo menos o extrato seco de 300 litros de vinho de 1472, então resta o vinho de 1472”, afirma este ex-cozinheiro apaixonado, que explica a sobrevida deste vinho especialmente por sua acidez.
“É um vinho de faro, muito ácido na boca. É extraordinário, mas não se pode abusar”, diz ainda aquele que tem tido o privilégio de provar o vinho em tonel mais velho do mundo “até prova em contrário”.
Famoso desde o século 17, este vinho é hoje o “tesouro” da adega estrasburguesa, comenta o diretor do hospital civil, Pascal Picard, precisando que sua adega gera a cada ano um lucro de dezenas de milhares de euros.
Há dez anos, o hospital, igualmente negociando vinhos, assinou com efeito uma convenção com quarenta produtores de vinho da Alsácia que dão sua melhor safra para envelhecer sob estas abóbadas de 1395, único vestígio do antigo hospital civil incendiado em 1716.
Longe da época em que o hospital aceitava vinhas em troca de uma operação e produzia seu próprio vinho, cerca de 150 mil garrafas com a inscrição “Hospices de Strasbourg” continuam assim a sair todo ano dos tonéis de carvalho. E 3.000 dentre elas, deixadas como pagamento pelos viticultores alsacianos, juntam-se aos vinhos de toda a França nas prateleiras da loja da adega.
Fonte:Agora MS



