04/11/2003 08h51 – Atualizado em 04/11/2003 08h51
Um projeto social desenvolvido em parceria com as associações de moradores e que conta com o apoio do Exército (11º Regimento de Cavalaria Mecanizada de Ponta Porã), está mudando a vida de meninos e meninas da periferia de Ponta Porã, fazendo com que o tempo livre das crianças seja aproveitado de forma sadia.
O Grupo de Capoeira Camará, juntamente com entidades comunitárias, trabalha na conscientização dos menos favorecidos para a prática do esporte, do estudo e da cidadania. De acordo com o professor José Maria Viana Guedes, o “Jaraguá”, contramestre de capoeira, que está à frente do projeto, uma equipe de professores de capoeira está ministrando as aulas nos bairros.
“Mesmo contando com apoio das ações, igrejas e setores da sociedade, ainda nos deparamos com muitos problemas, principalmente quando se refere à capacidade econômica dos alunos participantes, pois eles não têm condições de adquirir os materiais, como uniformes, mensalidades e transporte para o local onde as aulas estão sendo dada”, explica Jaraguá.
Há cinco anos o projeto está sendo executado, e em cada bairro um professor atende as crianças, cobrando uma mensalidade simbólica de $ 5,00. Na próxima semana o professor quer agendar um encontro com o prefeito Vagner Piantoni (PT) para discutir uma alternativa no sentido de abrir a todas as crianças o acesso às aulas nos bairros.
O Camará é o primeiro grupo de capoeira de Mato Grosso do Sul com símbolo e nomenclatura. “A capoeira – única arte marcial brasileira, criada pelos escravos – sabe muito bem o que é ser discriminado e excluído na sociedade, onde os mais fracos se sujeitam às normas dos mais fortes”, explica o professor “Jaraguá”.
Contudo, ele aponta que os capoeiristas de hoje estão preocupados com essa mentalidade e encaminham projetos, ministram palestras e atuam nos bairros da cidade ensinando a arte da capoeira, “com perspectiva de que haverá conscientização e inclusão daqueles excluídos que estão ao nosso alcance”, assegura.
Considerando a exclusão de crianças e jovens em situação de risco social e a maioria das ações que não contempla a faixa etária dos 10 aos 18 anos, o grupo Camará procura resgatar o atendimento a esse público ocioso realizando pequenos serviços na faixa de fronteira e servindo de atividade extra curricular para os que estudam.
Os bairros atendidos pelo projeto são a Vila São Domingos, Vila Áurea, São João, Planalto e Parque dos Ipês I e II. “Este projeto é alternativo e pode ser ampliado, para isso precisamos de parceiros, pois continuaremos buscando diretrizes básicas para as atividades, onde possa incluir esses jovens nos programas, possibilitando sua integração social”, garante José Maria.
Ele lembra que a capoeira é um esporte de integração social e respeitabilidade, que forma cidadãos que lutam pelos seus direitos, têm noção de cidadania e se desenvolvem gradualmente tanto físico quanto emocional e intelectualmente. Para finalizar, cita uma frase de Fernando Gabeira: “cada um de nós deve cuidar do seu quintal para depois cobrar atitude dos vizinhos”.
Fonte:Agora MS




