05/06/2006 16h54 – Atualizado em 05/06/2006 16h54
Maracajú online
Às vésperas do início da Copa do Mundo, para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vale a teoria de que “quem vai bem nos campos, vai mal nas contas”. Faltando uma semana para o início dos jogos da Seleção Brasileira na Alemanha, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que conta com diversos patrocínios milionários de empresas brasileiras e estrangeiras, está devendo aos cofres públicos. A entidade, que deve faturar por volta de R$ 60 milhões só este ano, está sofrendo uma ação de execução fiscal no valor de R$ 2,4 milhões. Um verdadeiro gol contra, antes mesmo de entrar em campo rumo ao hexa.Com o dinheiro dessa dívida da CBF com a União daria para hospedar, durante toda a Copa, 75 pessoas no quarto mais barato do hotel em que a Seleção Brasileira está na Suíça. O processo contra a entidade foi autuado em 18 de março deste ano e está tramitando na 4ª Vara de Execução Fiscal do Rio de Janeiro. A CBF deve ser citada nos próximos dias. A dívida da Confederação que gerou o processo se refere ao vencimento de Imposto de Renda em junho de 2002. O motivo para o não pagamento da dívida com a União, sem dúvida, não é a falta de dinheiro. Só o último contrato firmado com a Nike, por exemplo, repassa US$ 12 milhões por ano, o equivalente a R$ 25 milhões, à confederação. Isso sem contar com a bolada que a CBF está faturando com a Copa do Mundo. Estima-se que a concentração da seleção brasileira na cidade Suíça Weggis já tenha rendido à confederação cerca de US$ 4 milhões. Menos da metade desse valor seria suficiente para quitar a dívida de imposto de renda com a União. A CBF recebe ainda patrocínios da Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) e da companhia telefônica Vivo.O registro de inadimplência da entidade comandada por Ricardo Teixeira também foi encontrado no Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (CADIN). O registro da inadimplência foi efetuado pela Procuradoria-Geral do Ministério da Fazenda em 25/06/2004. O CADIN é um banco de dados onde ficam registrados os nomes de pessoas físicas e jurídicas em débito com órgãos e entidades federais. O registro encontrado no informativo não quer dizer que haja apenas uma dívida. Mesmo com a existência de mais de um débito, o CADIN efetua apenas um registro que só pode ser retirado quando todos forem quitados. Ao que tudo indica, a CBF também possui pendências junto à Caixa Econômica Federal (CEF). Com o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da confederação, não é possível obter um certificado de regularidade junto do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, FGTS. De acordo com a CEF, que não informa o motivo do impedimento para obter o certificado, o problema pode ser tanto por dívidas, quanto por motivos cadastrais. Segundo informações do último balanço feito pela Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), a CBF e federações têm uma dívida de aproximadamente R$ 71 milhões com a União. Incluindo todos os clubes, mais a CBF e as federações, a Previdência tem a receber R$ 1,1 bilhões. A sonegação de impostos e contribuições, inadimplência e fraudes são os principais motivos para a existência deste montante.Os problemas da CBF com o poder público, no entanto, vêm de outras Copas do Mundo. Pouco antes da seleção brasileira conquistar o penta, a entidade foi alvo de investigações de uma Comissão Parlamentar de Inquérito instalada na Câmara dos Deputados em 2000, que evidenciou a situação caótica da administração do futebol brasileiro, comandada pela CBF. A CPI, que tinha como objetivo inicial analisar o contrato entre a Confederação e a Nike, acabou descobrindo uma série de irregularidades na entidade e nas federações, como uso indevido de recursos, doações ilegais para políticos em campanha eleitoral, dentre outros.De acordo com o Deputado do PSDB-SP Sílvio Torres, que participou da CPI da Nike, a CBF tem contratos milionários, mas a má administração da confederação, vem sendo desastrosa desde o início. “Mesmo nos momentos em que CBF mais arrecadou, as contas nunca estiveram corretas e a desorganização vem se perpetuando”, disse. Sílvio Torres criticou a justificativa dada pela CBF de que não divulga suas contas porque não recebe dinheiro do Governo. Segundo ele o Governo Federal tem uma parceria com a CBF. “Eles administram um patrimônio público que é a seleção brasileira”, acrescentou.A dívida com a União, no entanto, não é exclusividade da CBF. Juntos, os Três Poderes têm aproximadamente R$ 317,6 bilhões a receber de seus credores inscritos na dívida ativa. Os créditos em processo de inscrição na dívida irão somar mais R$ 2,4 bilhões ao valor total. Desse valor, a provisão de perdas (dinheiro que a União terá dificuldades para receber) chega a R$ 78,4 bilhões. Os dados, com posição até 31 de maio deste ano, são do Sistema Integrado de Administração Financeira, Siafi.Até o fechamento da matéria a CBF não se pronunciou sobre o assunto. A assessoria de comunicação da entidade disse que somente o assessor da CBF, Rodrigo Paiva, poderia dar mais esclarecimentos. O Contas Abertas entrou em contato, por telefone, com o assessor que está na Suíça com a Seleção Brasileira e deixou recado na secretária eletrônica informando o motivo da ligação, mas não obteve retorno.Informações da Redação US





