03/09/2006 15h39 – Atualizado em 03/09/2006 15h39
Estadao.com
Os argentinos almoçaram neste domingo com um sabor amargo na boca, já que a denominada “Era Basile” – em referência ao novo técnico da seleção argentina, Alfio Basile – começou com o pé esquerdo.
A derrota da Argentina para o Brasil, embora tenha azedado um pouco os tradicionais raviolis do almoço familiar dominical, não causou indigestão, já que o jogo tratava-se apenas de um amistoso em um terceiro país e mesmo antes de iniciar, despertava pouco o entusiasmo dos torcedores.
De manhã cedo, a edição dominical do jornal esportivo Olé havia dado pouco destaque ao jogo, com uma breve referência na capa. A referência, inclusive, sequer fazia a tradicional – e mordaz – brincadeira que o chauvinista diário faz com o Brasil, atendo-se somente a comentar a polêmica sobre a designação de Juan Román Riquelme como o capitão do time.
Logo após o jogo, o “Olé” lamentava que o time havia realizado evolução alguma desde a desclassificação na Copa da Alemanha: “Mais da mesma coisa”. Segundo o jornal, a seleção argentina “havia gerado toneladas de sonhos com esta estréia de Baslie em Londres, mas perdeu em um piscar os olhos perante um rival que mostrou todo seu oportunismo”.
O Olé sustentou que o Brasil não demorou sequer a duração de “um suspiro” para mostrar “que não estava adormecido”. O jornal deu a mão à palmatória e admitiu: “Kaká fez um gol digno dos deuses”.
O jornal financeiro Ámbito Financiero foi categórico: “a Argentina mostrou problemas na defesa e pouco esforço no ataque”. Além disso, sustentou: “o Brasil goleou a seleção e arruinou a volta de Basile”.
O Clarín também seguiu a linha de dar a mão à palmatória. Embora sem criticar Basile – que neste jogo debutava como o novo técnico – o jornal confessou: “a Argentina não conseguiu brecar a contundência do Brasil”.
Uma pesquisa realizada pela edição online do jornal perguntou aos internautas se havia sido “um erro” começar o novo ciclo de Basile “perante um rival tão forte como o Brasil”. Do total, 46,7% consideraram que fora um erro. Mas, outros 53,3% afirmaram que “não”.
As ruas de Buenos Aires, durante o jogo, estiveram cheias, já que o ensolarado dia – um fenômeno pouco freqüente nesta época do ano – levou os portenhos a desfrutar do ar puro e deixar de lado o jogo. “Só vou averiguar o resultado do jogo quando voltar para casa”, disse Matías Carreri, comerciante, que aproveitava o dia para passar com seus dois filhos na Praça do Congresso.
Minutos após o fim do jogo, outro portenho, o livreiro Aldo Costas, tampouco estava interessado no jogo: “um amistoso é como comer um bife esturricado. Não se sente o sabor”. No entanto, lamentou a derrota: “perder para o Brasil, sempre dá uma dor no coração. Dor grande ou dorzinha, que nem neste jogo. Mas é dor no fim das contas”.






