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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Apagão aéreo: caos tecnológico

24/01/2007 16h34 – Atualizado em 24/01/2007 16h34

O aparentemente interminável “apagão aéreo” que há meses vem provocando o caos nos aeroportos nacionais e prejudicando a vida de milhares de cidadãos do Brasil e do exterior se revela, a cada dia que passa, fruto de uma total ausência de planejamento estratégico, sobretudo no aspecto tecnológico. Não que o Brasil não possua meios modernos para realizar o controle aéreo e de tráfego nos aeroportos. O problema é que não houve uma convergência de utilização de ferramentas tecnológicas adequadas.

 

Alguns pontos de operação evoluíram bastante e outros simplesmente ficaram estagnados. Um exemplo claro é a facilidade de acesso que o brasileiro tem hoje ao transporte aéreo como alternativa a outros meios de locomoção. De sua própria casa ou escritório ele compra a passagem e faz o check-in, seguindo direto para o aeroporto. Neste aspecto, os meios tecnológicos agilizaram a vida de quem viaja de avião. O problema é que tudo isso termina na sala de embarque. A partir daí é um incógnita.

 

Isso gerou uma demanda maior do que suporta a estrutura tecnológica do sistema de transporte aéreo do Brasil. Programas que auxiliam diretamente a automação operacional dos aeroportos e companhias aéreas estão mal ou sub-utilizados. Sem mão-de-obra com conhecimento adequado para utilizar todo o potencial destes programas, o sistema aéreo brasileiro agoniza. Também existem opções de ferramentas para a agilização do serviço de transporte aéreo que não estão sendo utilizadas por total desconhecimento.

 

A tudo isso veio colaborar a elevação gradual do poder aquisitivo da população brasileira a partir de uma melhora, mesmo pequena, na distribuição interna de renda. Com mais gente começando a usar o transporte aéreo e sem uma adequação na utilização de ferramentas operacionais e de tecnologia da informação, o colapso era inevitável. O próprio relatório sobre a crise do setor aéreo, de autoria do ministro do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, não me deixa mentir quando esclarece: “uma parte significativa dos recursos orçamentários foi contingenciada, dificultando os investimentos em projetos, equipamentos e pessoal”.

 

Para fugir desse redemoinho, só existe uma saída. O setor precisa da consultoria e da assessoria de empresas que possuem tecnologia de operação aérea e tecnologia da informação. No Brasil, várias empresas têm know-how e capacitação para fazer com que o sistema aéreo brasileiro otimize o uso das ferramentas já disponíveis, faça a aquisição da tecnologia adequada que lhe resta e treine adequadamente a mão-de-obra para que conheça e possa usar todas as possibilidades que programas e sistemas oferecem. Estas empresas podem, com toda a certeza, dar suporte para um planejamento estratégico e de tecnologia já visando os próximos anos. A partir daí, uma boa viagem a todos!

(*) Empresário, sócio-proprietário da Master Case Digital Business em Campo Grande/MS: [email protected].

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