13/10/2018 10h03
Em Mato Grosso do Sul, as principais cargas transportadas são produtos siderúrgicos e minério
Redação
O novo Trem do Pantanal, que fazia sua segunda viagem em 9 de maio de 2009, foi recepcionado com festa e banda de música na estação de Aquidauana. Hoje, nove anos depois, o trem não passa mais pelos trilhos. Com a linha desativada, dois vagões ficam de escanteio em meio ao mato na estação, localizada na cidade a 135 km de Campo Grande.
Inaugurada em 1911, a estação, que não é mais usada por trem de passageiro, é ocupada por um restaurante e secretarias da prefeitura de Aquidauana. Segundo o funcionário público Sebastião Fonseca, os trilhos são caminhos apenas para trem de carga, que passam três vezes por semana.
Seguindo viagem, a estação de Miranda, que em 2009 exibia tinta nova e reuniu duas mil pessoas para saudar o Trem do Pantanal, hoje é ocupada por setores da administração municipal, pombos que se aninham no telhado e exibe pichação e lâmpadas quebradas. De um lado, funcionam Secretaria de Turismo, Meio Ambiente e Recursos Hídricos; Departamento Municipal de Trânsito, Procon e Sistema de Inspeção Municipal.
Do lado de fora, velhos vagões. Dentro, o turismólogo Dionatan Miranda da Silva mostra um pequeno museu, uma espécie de memorial da ferrovia. Uma réplica de trem, lousa com os destinos Bauru e Corumbá, e equipamentos.
Ligando Campo Grande a Miranda, o Trem do Pantanal voltou aos trilhos em 2009, embalado como produto turístico, pois, com o transporte rodoviário, a longa viagem só se justificava a título de passeio.
A primeira crítica era de que não chegaria a Corumbá, o que, segundo ex-viajantes, roubaria o trecho mais bonito do roteiro. Em 2014, a estação de Indubrasil, em Campo Grande, que recebeu R$ 1,6 milhão para reforma, foi cortada do trajeto. Hoje, é um local abandonado.
Em 2015, o passeio foi suspenso para não mais voltar.
Em Corumbá, os trilhos vivem, mas a estação agoniza. Apesar da receptividade do monumento com a poesia de Rubens de Castro, que narra em versos: “Corumbá nos diz sorrindo, abrindo a porta da rua, meu filho ‘seja benvindo, pode entrar…a casa é sua'”; o cenário não é gentil a quem passa pela estação. Depredações e vandalismo se espalham pelo histórico endereço.
Ouvida pela reportagem, a prefeitura de Corumbá tem planos, mas não dinheiro. Por meio de nota, a administração municipal informa que os projetos para a área da estação são os seguintes: no Armazém de Cargas vai ser implantado o Centro de Atendimento ao Contribuinte; para o Hotel de Trânsito está prevista a Casa da Mulher Vítima de Violência. Para a Estação Ferroviária está em estudos o Transbordo Municipal.
“Para efetivá-los, o município está em fase de captação de recursos, uma vez que para que esses projetos possam sair do papel dependem da viabilização desses recursos”.
No município de Água Clara, a 198 km de Campo Grande, os trilhos passam por reforma, enquanto a estação segue seu destino de abandono. A janela da bilheteria sem uso foi isolada com tapume enquanto as paredes são úteis apenas para as frases pichadas. A assessoria de imprensa da prefeitura informou que não é responsável pela estação.
A ferrovia na história – Os caminhos de ferro abriram a flexibilidade na economia de Mato Grosso do Sul. Chegados há mais de cem anos, em 1914, época em que o Estado ainda era território de Mato Grosso, os dormentes da ferrovia encontraram em Campo Grande uma vila poeirenta e uma região apenas vocacionada para a venda de boi magro.
Antes dos trilhos, a estrada era fluvial. Os produtos entravam pelo estuário do Prata, seguiam pelos rios Paraná e Paraguai para só então chegar a Mato Grosso. A nova logística redesenhou a geografia econômica e fez com que Campo Grande desbancasse Corumbá, dona de um movimentado e cosmopolita porto, assumindo a condição de principal centro comercial. Pelos trilhos, vinha-se de tudo: arroz, feijão, piano, cabo de enxada.
A ferrovia foi executada em duas frentes: uma de Porto Esperança, próximo a Corumbá, e a outra de Três Lagoas. A junção foi feita em uma estação entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, cem anos depois ainda chamada de Ligação. Para trás, o trem deixou cidades, como Três Lagoas, Água Clara, Ribas do Rio Pardo e Terenos. Já existente, Aquidauana foi beneficiada por receber as oficinas da ferrovia.
(*) Campo Grande News





