Para especialista da Falconi, cenário exige disciplina na alocação de capital e foco em produtividade para sustentar competitividade.
A indústria brasileira encerrou 2025 com crescimento de 0,6% na comparação com o ano anterior, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada pelo IBGE. Apesar do resultado positivo no acumulado do ano, o desempenho foi heterogêneo entre as grandes categorias econômicas e refletiu os efeitos do crédito restritivo e do ambiente macroeconômico desafiador.
Entre as principais categorias, o maior dinamismo foi observado nos segmentos de bens de consumo duráveis, que avançaram 2,5% em 2025, e de bens intermediários, com alta de 1,5%. Por outro lado, os setores de bens de consumo semi e não duráveis registraram retração de 1,7%, enquanto bens de capital recuaram 1,5% no acumulado do ano.
O desempenho aponta que, embora parte da indústria tenha reagido, áreas mais ligadas ao consumo corrente das famílias e aos investimentos produtivos seguem pressionadas pelo custo elevado do crédito.
Para o vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Indústria de Base e Bens de Capital, André Chaves, o cenário de juros elevados impõe disciplina ainda maior às decisões empresariais, mas não elimina a necessidade de investir.
“Na indústria, parar de investir não é ‘economizar’. É aceitar perda gradual de eficiência, mais paradas, obsolescência tecnológica e queda de competitividade. Equipamentos envelhecem, processos encarecem e a régua do cliente sobe mesmo com mercado estagnado e juros elevados”, afirma Chaves.

Ainda segundo o executivo, o investimento contínuo pode ir além da expansão da capacidade produtiva e envolve ganhos estruturais de produtividade, eficiência energética e digitalização. “O investimento contínuo não é opcional e vai além da expansão. Ele envolve: sustentar segurança, qualidade e confiabilidade; ganho de produtividade com automação, digitalização e eficiência energética; proteger margens ao atender padrões técnicos, ambientais e de rastreabilidade; e preparar pessoas, porque tecnologia sem capacitação vira ativo ocioso”, reforça.
No setor de bens de consumo, segundo os dados do IBGE, a retração dos segmentos semi e não duráveis indica um consumidor ainda seletivo, pressionando margens e exigindo maior eficiência operacional das empresas.
Chaves reforça que, mesmo nesse cenário, a estratégia correta de alocação de capital é determinante para atravessar o ciclo. “Investir é preciso. Mas investir bem é disciplina. Em um Brasil de juros altos e concorrência crescente, o retorno não virá de gastar menos, e sim de investir melhor”, explica o executivo.
Para finalizar, Chaves reforça que o resultado da pesquisa do IBGE mostra uma indústria que conseguiu fechar o ano no campo positivo, mas que ainda opera sob forte influência do custo do capital e da confiança do mercado, fatores que devem continuar determinantes para o ritmo da atividade em 2026.



