Estado concentra investimentos bilionários, lidera exportações e reforça papel estratégico do país na cadeia mundial de papel e derivados
Por: Nathália Santos
Mato Grosso do Sul deixou de ser coadjuvante e passou a ocupar posição central na indústria de celulose brasileira. O estado já responde por cerca de um quarto da produção nacional e concentra alguns dos maiores projetos industriais em operação e expansão, especialmente em cidades como Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo.
Dados da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação indicam que a cadeia da celulose se tornou um dos principais motores econômicos do estado, com forte impacto sobre o Produto Interno Bruto, geração de empregos e atração de investimentos.
Segundo a secretaria, Mato Grosso do Sul possui cerca de 1,75 milhão de hectares de florestas plantadas, principalmente eucalipto, base da produção de celulose de fibra curta.
INVESTIMENTOS BILIONÁRIOS E EFEITO NA ECONOMIA LOCAL

A expansão do setor é sustentada por aportes robustos de grandes empresas, como Suzano e Eldorado Brasil, que instalaram unidades industriais de grande escala no estado.
De acordo com a Semadesc, os investimentos previstos na cadeia da celulose em Mato Grosso do Sul superam R$ 70 bilhões até o fim da década. Esse volume tem impacto direto na economia regional, estimulando setores como construção civil, logística e serviços.
Além disso, a celulose já figura como o principal produto da pauta exportadora estadual, respondendo por uma fatia significativa das vendas externas, conforme dados do governo estadual e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
COM MS IMPULSIONANDO, BRASIL AMPLIA PROTAGONISMO GLOBAL
O avanço de Mato Grosso do Sul ocorre em um contexto de crescimento da produção nacional. O Brasil é atualmente o segundo maior produtor mundial de celulose e lidera no segmento de fibra curta, produzida a partir do eucalipto.
Informações da Indústria Brasileira de Árvores apontam que o país produz mais de 25 milhões de toneladas por ano, com grande parte destinada à exportação. China e Europa estão entre os principais destinos.
A competitividade brasileira está associada a fatores naturais e tecnológicos, como clima favorável, alta produtividade florestal e ciclos mais curtos de cultivo, que reduzem custos e aumentam a eficiência.

EXPORTAÇÕES REFORÇAM DEPENDÊNCIA DO MERCADO EXTERNO
A forte orientação exportadora é uma das características do setor. No caso de Mato Grosso do Sul, a participação nas exportações nacionais de celulose é ainda mais expressiva, consolidando o estado como peça-chave na balança comercial brasileira.
Dados da Semadesc mostram que a celulose representa parcela relevante das exportações estaduais, superando produtos tradicionais como a soja em determinados períodos.
Esse cenário, por outro lado, também expõe a economia às oscilações do mercado internacional, especialmente à demanda asiática e às variações cambiais.
EXPANSÃO FLORESTAL E DESAFIOS FUTUROS
O crescimento da indústria tem sido acompanhado pela expansão acelerada das áreas de eucalipto. Segundo a Semadesc, a área de florestas plantadas no estado cresceu mais de 500% na última década.

Embora o avanço represente ganhos econômicos, também levanta debates sobre uso do solo, impactos ambientais e pressão sobre infraestrutura logística.
O desafio, segundo especialistas e órgãos públicos, é equilibrar crescimento econômico com sustentabilidade, garantindo competitividade sem comprometer recursos naturais e dinâmicas sociais locais.
POTENCIAL DE TRÊS LAGOAS: CARRO CHEFE DA ECONOMIA DE MS
O município de Três Lagoas é considerado o ponto de partida da transformação econômica impulsionada pela indústria de celulose em Mato Grosso do Sul. Até o início dos anos 2000, a cidade tinha uma economia baseada principalmente na pecuária e no comércio local. Esse cenário começou a mudar com a chegada de grandes indústrias do setor florestal, em um movimento que reposicionou o município dentro da economia nacional.

A virada econômica ocorreu com a instalação de fábricas de empresas como a Suzano e a Eldorado Brasil, que transformaram a base produtiva local e impulsionaram indicadores econômicos. O impacto é evidente no Produto Interno Bruto. Dados recentes mostram que o PIB do município saltou para cerca de R$ 65,9 bilhões em 2024, valor até 17 vezes maior do que o registrado pouco mais de uma década antes, refletindo o avanço da indústria de celulose na região.
No comércio exterior, Três Lagoas também consolidou protagonismo. Em 2025, o município registrou US$ 3,05 bilhões em exportações, com crescimento de 5,8% em relação ao ano anterior, além de um saldo comercial positivo de US$ 2,63 bilhões. O volume exportado ultrapassou 2,7 milhões de toneladas, tendo a celulose como principal produto da pauta.
A força econômica da cidade se reflete ainda na sua participação nas exportações estaduais. Três Lagoas responde por cerca de 16,8% de todas as exportações de Mato Grosso do Sul, mantendo-se como o principal município exportador do estado. Esse desempenho acompanha o crescimento da celulose na economia sul-mato-grossense, que já representa quase 30% das vendas externas do estado.
Com forte integração ao mercado internacional e concentração de grandes plantas industriais, Três Lagoas se consolidou como o principal polo do chamado “Vale da Celulose”.





