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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Inadimplência dispara em MS e acende alerta no comércio

Inadimplência dispara em MS e acende alerta no comércioFCDL-MS diz que os números mostram um agravamento da situação financeira das famílias sul-mato-grossenses.

O número de consumidores inadimplentes em Mato Grosso do Sul registrou forte alta e acendeu um sinal de alerta no setor produtivo. Dados do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), referentes a abril de 2026, mostram que o total de devedores no estado cresceu 10,07% em relação ao mesmo período do ano passado, avanço acima da média nacional (9,25%) e também superior à região Centro-Oeste (6,66%) .

Na comparação mensal, de março para abril, o aumento também preocupa: 1,47% de alta, quase três vezes mais que a média regional .

Para a presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), Inês Santiago, os números mostram um agravamento da situação financeira das famílias sul-mato-grossenses.

“São números bastante preocupantes. A federação vê com grande preocupação porque tivemos um aumento de mais de 10% no número de endividados nas famílias sul-mato-grossenses, acima da média nacional e muito acima da média do Centro-Oeste”, afirma.

O crescimento não se limita ao número de pessoas negativadas. O volume de dívidas em atraso avançou ainda mais, com alta de 20,84% em um ano, superando novamente os índices nacional e regional . Cada consumidor inadimplente acumula, em média, 2,4 dívidas, com valor médio de R$ 5.994,67.

Outro dado que reforça a gravidade do cenário é o tempo de atraso: os sul-mato-grossenses permanecem, em média, 28,4 meses com dívidas em aberto, sendo que mais de um terço já está inadimplente entre 1 e 3 anos .

Segundo Inês Santiago, o tamanho das dívidas chama ainda mais atenção quando comparado à renda média da população.

“Cada consumidor tem, em média, 2,4 dívidas e cada uma delas gira em torno de R$ 5,9 mil, valor muito acima da média salarial do trabalhador em Mato Grosso do Sul. Isso mostra o tamanho da dificuldade enfrentada pelas famílias”, pontua.

Reincidência alta e recuperação em queda

O levantamento do SPC Brasil também mostra que a inadimplência tem se tornado um ciclo difícil de romper. Em abril, 87,62% das negativações foram de consumidores reincidentes, ou seja, pessoas que já haviam enfrentado restrições nos últimos 12 meses .

Além disso, o número de reincidentes cresceu 11,85% no acumulado de um ano , indicando que mais consumidores estão voltando ao cadastro negativo mesmo após tentativas de regularização.

Ao mesmo tempo, a recuperação de crédito apresentou retração. O número de pessoas que conseguiram quitar dívidas caiu 7,84% nos últimos 12 meses, desempenho pior que o registrado no país .

Na avaliação da presidente da FCDL-MS, os índices mostram que programas de renegociação não têm sido suficientes para resolver o problema estrutural do endividamento.

“Hoje, 87% dos endividados voltaram para o banco de negativação. Isso mostra que os programas acabam atacando o efeito, mas não a causa do problema. O consumidor até sai da inadimplência, mas volta rapidamente porque o ambiente econômico continua difícil, o crédito continua caro e a carga tributária segue pesada”, destaca.

Perfil do endividamento

A faixa etária mais impactada segue sendo a de 30 a 39 anos, que concentra cerca de um quarto dos inadimplentes . A distribuição por sexo é equilibrada, com leve predominância masculina.

Entre os setores credores, o sistema financeiro lidera com folga: 64,69% das dívidas estão ligadas a bancos.

A FCDL-MS reforça a necessidade de ações voltadas à educação financeira, ampliação das condições de renegociação e estímulos econômicos que permitam às famílias recuperarem o poder de compra e retomarem o equilíbrio financeiro.

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