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terça-feira, 2 de junho de 2026

Com R$ 12,8 bilhões liberados, BNDES ajuda a financiar boom econômico de MS

Infraestrutura e indústria puxam alta do crédito e mudam perfil do desenvolvimento do Estado

O BNDES desembolsou mais da metade do montante de recursos aprovados para Mato Grosso do Sul desde 2023, distribuídos em obras de infraestrutura, projetos industriais, agropecuária e comércio e serviços. Os dados mostram que o ciclo de industrialização vivido pelo Estado já aparece nos números do banco de fomento.

Conforme dados da plataforma do BNDES compilados pelo Campo Grande News, os desembolsos somaram uma cifra inédita de R$ 12,8 bilhões entre 2023 e o primeiro trimestre deste ano, mais da metade do total de R$ 20,5 bilhões aprovados no período. O número supera em 207,4% o valor aprovado no período imediatamente anterior, entre 2019 e 2022, quando alcançou R$ 6,67 bilhões.

Os volumes permaneceram robustos no início deste ano principalmente para os setores de infraestrutura e indústria. No primeiro trimestre de 2026, os recursos desembolsados somaram R$ 1,05 bilhão, aumento de 346,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para especialistas da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), a robustez do crédito do banco de fomento contribuiu para a transformação econômica do Estado, embora ainda seja insuficiente para atender à demanda reprimida por financiamentos com taxas de juros mais atrativas em meio ao elevado juro básico da economia, a taxa Selic.

“Os desembolsos do BNDES foram muito fortes e ajudaram a sustentar a transformação econômica de Mato Grosso do Sul. Entretanto, a busca por novas linhas de crédito indica que o setor produtivo ainda tem espaço e necessidade de ampliar a oferta de financiamento para acompanhar o ciclo de investimentos que o Estado está vivendo”, destaca Renata Farias, consultora e gestora da Fiems Conecta, agência de desenvolvimento e fomento regional da federação.

Com R$ 12,8 bilhões liberados, BNDES ajuda a financiar boom econômico de MS

Infraestrutura como alavanca

Levantamento setorial realizado pela Fiems Conecta entre 2021 e 2025, com base nos dados do BNDES, mostra que os recursos desembolsados nos últimos cinco anos cresceram 329,5%.

No topo desses financiamentos, os projetos de infraestrutura registraram alta de 821%, passando de R$ 419 milhões, em 2021, para R$ 3,86 bilhões no ano passado. Os desembolsos para o segmento responderam por 55,1% do total de 2025, que alcançou o recorde de R$ 7 bilhões.

O crédito destinado à agropecuária aumentou 47,6% em cinco anos, saindo de R$ 786 milhões, em 2021, para R$ 1,16 bilhão em 2025, quando respondeu por 16,5% do total.

Em termos proporcionais, o setor industrial se destacou com avanço de 500% nos desembolsos do BNDES em cinco anos. O valor passou de R$ 185 milhões, em 2021, para R$ 1,11 bilhão em 2025, o equivalente a 15,8% do total do ano. Os maiores desembolsos no ano passado atenderam a indústria de material de transporte (63,2%) e de alimentos e bebidas (25,2%). Em 2021, as liberações de crédito estavam concentradas na indústria de celulose e papel (51%) e de alimentos e bebidas (31%).

O crédito para a área de comércio e serviços cresceu 263%, passando de R$ 243 milhões para R$ 882 milhões no ano passado, quando respondeu por uma fatia de 12,6% dos desembolsos concedidos.

Nova pauta

Na avaliação da consultora da Fiems, os desembolsos são coerentes com o movimento de grandes investimentos privados em andamento no Estado, principalmente da indústria da celulose, além dos setores de logística, energia e biocombustíveis. Ela ressalta ainda a construção de infraestrutura associada à Rota Bioceânica, corredor rodoviário de integração de aproximadamente 2.400 quilômetros que, do lado brasileiro, ligará Mato Grosso do Sul aos oceanos Atlântico e Pacífico.

“A Fiems tem destacado que 2025 foi um ano de recorde de exportações industriais, expansão do emprego industrial, atração de investimentos e fortalecimento da competitividade do Estado”, analisa Renata Farias.

Hub de crédito

Diante desse cenário e de demanda reprimida por financiamentos com taxas de juros mais atrativas frente à elevada taxa básica de juros da economia, a Selic, a Fiems iniciou, em maio deste ano, negociações com o BNDES para se tornar “o hub de conexão da instituição financeira em Mato Grosso do Sul, com condições diferenciadas para a indústria”, segundo disse.

“Apesar do crescimento dos desembolsos, a federação entende que ainda existe demanda reprimida por financiamento. Embora haja recursos disponíveis, muitos empreendimentos ainda não conseguem acessar crédito com taxas de juros reduzidas.”

Sob essa ótica, a especialista destaca a importância desses avanços para assegurar a competitividade do setor produtivo no longo prazo.

“Quando o crédito migra de uma predominância agropecuária para infraestrutura e indústria, normalmente estamos diante de uma economia que está se sofisticando”, destaca. “Mato Grosso do Sul está vivendo um ciclo de investimentos nesses setores. Por isso, a demanda continua crescente”, acrescenta.

O entendimento é de que as necessidades de inovação tecnológica, eficiência energética e sustentabilidade da indústria aumentam e aceleram a demanda por financiamento mesmo em um cenário de juros elevados. “Por isso, linhas do BNDES com taxas reduzidas são tão atrativas”.

Fonte: Campo Grande News

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