Alteração do terreno atrasa licenciamento ambiental e empurra cronograma para final de 2025 ou início de 2026. Licença Prévia segue válida
O começo da construção da nova fábrica de celulose da Bracell em Bataguassu deve ser adiado. O motivo é a mudança do local onde a planta industrial será instalada, o que obrigou a empresa a refazer parte do processo de licenciamento ambiental.
Considerado um dos maiores investimentos privados da história de Mato Grosso do Sul, com aporte estimado em R$ 16 bilhões, o projeto teve que mudar a localização do terreno. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a área escolhida originalmente não comportava toda a estrutura prevista para a unidade.
ATUALIZAÇÃO
Com a nova configuração de área, a Bracell trabalha agora na atualização do processo e na complementação de informações técnicas para obter a Licença de Instalação. A informação foi confirmada por Jaime Verruck, ex- titular da Semadesc, que apontou que o atraso deve empurrar o início das obras para o final deste ano ou começo de 2026.
Apesar do adiamento, a viabilidade ambiental do empreendimento não está comprometida. A Licença Prévia, etapa que atesta a viabilidade do projeto, permanece aprovada e válida.
IMPACTOS
Quando sair do papel, a unidade de Bataguassu operará com até duas linhas de produção de celulose kraft e celulose solúvel, insumos usados nas indústrias de papel, embalagens e têxtil.
A expectativa é de forte impacto econômico no chamado Vale da Celulose. As projeções apontam 12 mil empregos temporários no pico das obras e 2 mil vagas diretas na fase operacional. A Bracell estima precisar de até 10 mil trabalhadores durante a construção e 3 mil profissionais para operar a fábrica.
ESTRUTURANDO A CIDADE
O deputado estadual Pedro Caravina (PSDB) afirma que o maior gargalo hoje é a qualificação. “Hoje em dia, a maior dificuldade não é a falta de emprego, e sim a falta de encontrar mão de obra qualificada”. Para isso, Bataguassu terá uma escola técnica e negocia a instalação de uma unidade da UEMS com cursos voltados ao setor.
A cidade também se prepara para o crescimento. Estão em andamento obras de asfaltamento, ampliação da Santa Casa, construção de UPA e nova creche. Na segurança pública, a prefeitura acompanha a instalação dos alojamentos – a 5 km da cidade e com estrutura própria de saúde – e articula a elevação da companhia da PM para batalhão, além de novos policiais civis.
A fábrica integrará a “Rota da Celulose”, corredor logístico que inclui as BRs 267 e 262 e as MS-040 e MS-338, todas dentro do pacote de concessões rodoviárias do estado. A unidade terá capacidade para processar 12 milhões de m³ de eucalipto por ano.
O projeto Vale da Celulose, de autoria de Caravina, abrange 12 municípios e busca atrair investimentos privados e públicos para a região. “Não estamos só olhando por Bataguassu, mas todas as cidades ao redor”, disse o deputado.





