14.7 C
Três Lagoas
quarta-feira, 8 de julho de 2026

OMC fecha acordo sobre genéricos em Genebra

28/08/2003 08h27 – Atualizado em 28/08/2003 08h27

O Brasil e outros países em desenvolvimento fecharam um acordo com os Estados Unidos que estipula como países pobres terão acesso a medicamentos mais baratos.

O acordo, que resolve uma disputa de mais de dois anos, deverá derrubar o principal entrave à nova rodada de negociações em Cancún, no México, em duas semanas.

O grupo de países que negociou com os Estados Unidos incluía Brasil e Índia – fabricantes dos genéricos, como são chamadas as versões mais baratas dos remédios – e África do Sul e Quênia, que, como a maioria dos países africanos, precisam dos genéricos para atender pacientes de doenças como a Aids e malária.

Se as novas regras forem aprovadas pelos outros membros da OMC, fabricantes de genéricos poderão quebrar patentes e exportar versões mais baratas de remédios.

Críticas:

As agências humanitárias Oxfam e Médicos Sem Fronteiras criticaram a proposta aprovada, alegando que elas impõem muitas condições aos países pobres.

“O texto contém tantas exceções e tantos obstáculos que, se for aceito, os países em desenvolvimento vão continuar tendo problemas para ter acesso a remédios baratos e milhares de pessoas vão continuar a morrer desnecessariamente”, afirmou Celine Charveriat, da Oxfam, antes do fechamento do acordo.

Um dos pontos mais criticados da proposta – que deverá ser submetida nesta quinta-feira aos outros membros da OMC, em Genebra – foi a obrigatoriedade de países pobres provarem que não têm capacidade de produzir genéricos para poder importá-los.

“Eu acho que isso é um esforço de última hora para fazer com que os Estados Unidos assinem o acordo e salvem Cancún, transformando um engodo em uma coisa maravilhosa para o desenvolvimento”, afirmou Charveriat.

No início do ano, os americanos haviam bloqueado uma proposta que havia sido aceita por todos os outros membros da OMC.

A bilionária indústria farmacêutica dos Estados Unidos temia que países, como o Brasil, fabricassem remédios considerados não essenciais, a exemplo do Viagra.

Sob o novo acordo, países como Brasil e África do Sul se comprometeram a quebrar patentes apenas em casos de emergências de saúde.

Fonte: BBC

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.